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O presidente da Comissão
de Constituição e Justiça do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA)
disse
ontem que "todo mundo no Congresso" sabia da existência do "mensalão",
confirmando assim as denúncias de Roberto Jefferson (PTB-RJ). "Eu já sabia
disso e todo mundo no Congresso também sabia, só não tínhamos como
comprovar", disse ACM. Ele disse desconfiar que o "mensalão" também era
depositado na conta dos petistas. "Você quer que eu acredite que se havia
mensalão para outros partidos aliados, não havia também para o PT?"
indagou, ironizando que, para o partido do governo o pagamento deveria ser
em euro.
O deputado federal Miro
Teixeira (PT-RJ) confirmou que, em 2003, quando era ministro das
Comunicações, foi alertado por Jefferson sobre o esquema de pagamento
mensal de propinas a congressistas. Na ocasião, ele teria tentado
convencer Jefferson a levar a denúncia ao presidente Lula, mas que ele
teria recusado. "Vamos juntos ao presidente da República", teria dito
Miro. Ele não acredita que as denúncias tenham sido levadas a Lula.
Ainda segundo Miro, as
declarações de Jefferson à imprensa estariam incompletas. Ele teria
relatado a Miro que o "mensalão" chegou a ser discutido em uma reunião
governamental, o que demonstraria que o esquema era conhecido por outros
ministros. Segundo Miro, ao não contar tudo o que sabia, o presidente do
PTB pode estar guardando algum trunfo para eventual negociação política.
Em setembro de 2004,
Miro Teixeira denunciou ao Jornal do Brasil um esquema de propina
para parlamentares que votassem a favor do governo no Congresso mas, logo
depois, recuou e disse que não tinha como provar as denúncias.
Dados objetivos –
O ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (PPS-CE), disse ontem em
Washington (EUA) que conversou com Jefferson sobre o "mensalão", mas que
ele não tinha dados mais objetivos.
O governador de Goiás,
Marconi Perillo (PSDB), disse que há cerca de um ano alertou Lula do
esquema, quando o presidente foi a Goiás visitar a empresa Perdigão. O
governador afirmou que Lula teria dito: "isso foi coisa que o Sérgio Motta
introduziu", referindo-se ao ex-ministro das Comunicações e braço direito
de Fernando Henrique Cardoso. Perillo disse ainda que retrucou: "estou
falando que está acontecendo no seu governo". (Agências)
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