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| 01/10/2003
Meningite
intranqüiliza Conquista
Duas jovens morreram com sintomas da
doença, num distrito, onde já ocorreram 17
casos semelhantes este ano
Juscelino Souza
VITÓRIA DA CONQUISTA (DA SUCURSAL SUDOESTE)
- A morte das adolescentes Geovânia
Silva Dias, 14 anos e Poliana Pereira
Soares, 17, com suspeita de meningite,
deixou assustada a população da localidade
de Lagoa das Flores, a 3,5 km de Vitória da
Conquista. Nos dois casos as garotas
apresentaram quadro semelhante ao provocado
pela doença, como vômito e dores pelo corpo
- o mesmo já observado em pelo menos outros
dois pacientes na mesma localidade.
O primeiro caso foi o de Geovânia, que
morreu há uma semana, no Hospital Regional
de Base, em Conquista, depois de uma crise
de tosse, seguida de dores pelo corpo e
vômitos, conforme relato de sua mãe,
Luzinete Silva Dias. “Minha filha passou por
quatro médicos, mas nenhum hospital aceitou
interná-la, alegando falta de vagas. Esta só
apareceu quando a gente pagou uma taxa de R$
20,00 na Unimec”, denunciou.
O médico prescreveu Tylenol e recomendou que
a garota fosse levada para casa, mas isso só
fez agravar o quadro. “Quando ela tomou o
remédio, apareceram manchas avermelhadas
pelo corpo todo. Voltei ao hospital e o
médico mandou aplicar uma injeção
antialérgica. Uns dizem que era infecção
generalizada, outros já disseram que era
meningite”, salientou.
De acordo com a avaliação, Geovânia fora
acometida por uma bactéria na garganta, o
que não descarta a meningite. “Eles disseram
isso, mas no atestado está escrito que ela
morreu com insuficiência renal e septicemia
(infecção generalizada). O que a gente mais
quer agora é saber realmente do que minha
filha morreu, até para tranqüilizar a
família e os amigos”, afirmou a mãe.
ASSUSTADOS – Até então, o caso vinha
sendo tratado como “fatalidade”, mas a morte
da estudante Poliana Pereira Soares, domingo
último, quebrou a rotina da localidade de,
aproximadamente, dois mil moradores. “Ela
começou a passar mal, com dores pelo corpo,
febre e vômitos, depois que voltou do
velório da amiga”, contou o pai de Poliana,
Deli Xavier Soares. “Eles abriram o caixão
no cemitério, apesar de os médicos proibirem
isso (em caso de meningite)”.
Ainda segundo o pai, Poliana não apresentava
qualquer problema de saúde. “Quando chegou
em casa estava com o corpo todo quebrado.
Não agüentava nem levantar, aí nós levamos
para o hospital São Vicente, depois foi para
o Hospital de Base. Lá já não recebia mais
visita e a última vez que vi minha filha
viva foi pelo vidro que separa o quarto do
corredor”.
A mãe de Poliana, Maria das Graças Pereira,
não esconde o medo de perder seus outros
dois filhos por causa da doença. “Todo mundo
está assustado aqui em Lagoa das Flores, mas
estamos tomando remédio que o pessoal da
Vigilância (Epidemiológica) trouxe aqui em
casa. Deus ajuda que não aconteça mais nada,
mas aqui tem mais pessoas doentes, se
queixando de moleza no corpo”. Muitos buscam
informações nos postos de saúde ou, por
telefone, na Vigilância Sanitária Municipal.
MENINGOCOCO – A unidade de saúde
trata os casos com cautela, apesar de ter
orientado os moradores a redobrar os
cuidados com a higiene pessoal e manter
portas e janelas abertas para inibir uma
possível incidência do meningococo. “Ele é
sensível ao sol, frio, sabão e água, por
isso esses cuidados são importantes”, disse
a coordenadora do órgão, enfermeira Mirela
Paiva. Aliado a esses cuidados, os
profissionais administram medidas de
profilaxia às famílias das adolescentes e
encaminharam material ao Laboratório Central
(Lacen) para exames de hemocultura. O
resultado deve ser informado até o dia 6
próximo.
A enfermeira disse que de janeiro a julho
deste ano já foram detectados 17 casos
suspeitos, sendo um de meningite
meningocócica, considerada a mais perigosa.
“A maioria dos casos foi confirmada, mas não
disponho da quantidade nesse momento”, disse
Mirela, acrescentando que também não havia
computado os casos de agosto a setembro. A
Meningite se caracteriza pela inflamação das
membranas que revestem o cérebro e a medula
espinhal e tem alguns sintomas similares aos
da dengue hemorrágica, como febre, vômitos
freqüentes, dor de cabeça intensa e manchas
no corpo.
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