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Agências Internacionais
MOSCOU - Autoridades russas deram por terminada a operação para "esmagar a
resistência" dos terroristas que haviam tomado a escola de Beslan, na
Ossétia do Norte, sul da Rússia, fazendo até 1.500 reféns. Segundo o
Ministério da , mais de 200 pessoas morreram durante o confronto ou
instantes depois em decorrência de ferimentos provocados por explosões. O
chefe do Serviço Federal de Segurança (FSB) da Ossétia do Norte, Valery
Andreyev, disse que 79 corpos já foram identificados por parentes.
"Mais de 200 pessoas morreram (no local ou em hospitais) como resultado do
tiroteio ou de ferimentos produzidos pela explosões detonadas pelos
terroristas", disse o Ministério da Saúde da Província da Ossétia do
Norte, citado pela agência Interfax.
O número de crianças entre os mortos ainda é incerto, mas já se sabe que a
maioria dos meninos e meninas feridos por tiros foi atingida nas costas. A
razão seria uma tentativa de fuga das crianças, depois que uma das bombas
instaladas pelos terroristas no ginásio onde se concentravam os reféns
explodiu.
Segundo o Ministério da Saúde, 702 ex-reféns foram hospitalizados e 259
desses são crianças. Além das mortes ocorridas no desfecho desta
sexta-feira, estima-se que o comando terrorista tenha matado 7 a 19
pessoas durante o seqüestro, iniciado na manhã de quarta-feira.
Os serviços de segurança reconheceram, porém, que quatro seqüestradores
fugiram e que as buscas continuam. De acordo com fontes de segurança, três
seqüestradores foram capturados vivos e outros 27 morreram - um deles
esmagado pela queda de uma viga - na operação próxima à fronteira com a
Chechênia.
- A operação para capturar e aniquilar os terroristas terminou - disse à
emissora NTV o general do Exército Victor Sobolev, comandante de parte das
forças russas destacadas para a Ossétia do Norte.
Em circunstâncias ainda não esclarecidas, comandos russos invadiram a
escola, onde desde quarta-feira um grupo de 15 homens e mulheres armados
mantinha centenas de pessoas reféns - entre alunos, pais e professores -
encerrando de forma sangrenta e tumultuada o seqüestro em meio a explosões
e tiroteio e à fuga desesperada de crianças e adultos.
Testemunhas disseram ter visto cerca de 20 crianças em um necrotério da
região. O Ministério das Emergências disse que 646 pessoas, incluindo 227
crianças, estão hospitalizadas.
Um correspondente da agência Reuters disse ter visto os corpos de 23
pessoas, entre eles os de 17 crianças, do lado de fora do necrotério de um
hospital local, depois que tropas invadiram nesta sexta-feira a escola.
- Eu posso ver 23 corpos do lado de fora do necrotério do hospital, seis
deles estão uniformizados e 17 são de crianças - disse o correspondente da
Reuters Richard Ayton. Ele disse que médicos lhe contaram que pelo menos
dez outros corpos estavam dentro do necrotério.
O maior temor da população russa - a repetição do massacre de reféns na
operação que encerrou em fevereiro de 2002 o seqüestro do teatro de Moscou
- parece ter se repetido. Na quarta-feira, o presidente russo, Vladimir
Putin, afirmara que a segurança dos reféns era prioritária, mas o desfecho
teve o mesmo fim trágico que o da capital russa, que levou à morte de 129
reféns.
Após tropas russas invadirem um dos prédios da escola, jornalistas e civis
conseguiram entrar no local. Um jornalista britânico relatou o cenário de
morte e destruição que encontrou.
- Nosso cinegrafista conseguir ver o interior do ginásio por alguns
minutos. Ele me disse que havia cerca de cem corpos - relatou o repórter
da emissora de TV ITN, Julian Manyon, em entrevista dada a à CNN enquanto
ainda se ouviam tiros na escola. - Há um grande número de corpos no chão
chamuscado.
Era no ginásio que as centenas de pessoas feitas reféns estavam, numa
celebração pelo início do ano letivo, quando o comando terrorista tomou a
escola. Pessoas que conseguiram escapar relataram que o local havia sido
minado e, aparentemente, segundo Julian Manyon, explosivos colocados pelos
terroristas dentro da escola foram detonados.
Horas depois da operação, o chefe de segurança da Rússia disse que a
tomada da escola não foi uma ação planejada.
- Eu quero destacar que nenhuma ação militar fora planejada. Nós estávamos
planejando seguir com as negociações - disse o chefe regional do serviço
de segurança FSB (ex-KGB), Valery Andreyev, à rede de TV RTR.
Antes da entrada da polícia, negociadores e terroristas chegaram a um
acordo para que pudessem ser retirados de dentro da escola os corpos de
pessoas mortas no início do seqüestro, na quarta-feira. Segundo a imprensa
russa, 12 foram vítimas no fogo cruzado entre tropas e seqüestradores.
O que aconteceu a seguir ainda não está claro. Segundo agências de
notícias russas, um violento tiroteio começou quando alguns
seqüestradores, vestidos como civis, tentataram escapar da escola enquanto
soldados russos se aproximavam para recolher os corpos. Outra versão, diz
que um grupo de 30 crianças teria conseguido escapar e, quando os
seqüestradores notaram a fuga, começaram a atirar na direção dos
fugitivos. Quase simultaneamente, fortes explosões foram ouvidas na região
da escola.
Paralelamente, no começo da operação, vários helicópteros militares russos
sobrevoavam a escola e o telhado de um dos prédios do colégio ruiu, o que
aumentou o nervosismo e a angústia das famílias das vítimas que
acompanhavam a poucos metros de distância do desenrolar dos fatos.
Especula-se que o telhado possa ter desabado numa tentativa de soldados de
entrar no prédio. Não se sabe se o incidente deixou mortos.
Em cenas dramáticas, soldados carregavam no colo crianças de várias
idades, que vestiam apenas roupas íntimas por causa do calor dentro da
escola. Todas estava apavoradas e algumas cobertas de sangue. Alguns
alunos afirmaram que os seqüestradores os proibiriam de beber água de
torneiras nos banheiros.
Muitas pessoas que acompanhavam a crise a poucos metros da escola, que não
foi isolada adequadamente pelas autoridades, podem ter ficado feridas.
Ao tomar a escola na quarta-feira, os seqüestradores exigiram inicialmente
a libertação de combatentes chechenos presos e a retiradas das tropas
russas da Chechênia. Poucas horas antes do desenlace do episódio, eles
teriam exigido a independência da Chechênia em troca da libertação dos
reféns.
A entrada das forças de segurança russa na escola de Beslan pôs fim a um
dos períodos mais conturbados da História recente do país, abalado, em dez
dias, por outros dois atos terroristas. No dia 24 de agosto, dois aviões
de carreira russos caíram quase simultaneamente no país, matando 90
pessoas. As autoridades russas responsabilizaram rebeldes chechenos pelo
que disseram ser atentados suicidas. Na terça-feira, uma terrorista
suicida detonou explosivos no centro de Moscou, perto de uma estação de
metrô, matando a si e a outras nove pessoas e ferindo dezenas.
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