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Brasília - A nave
russa Soyuz TMA-8 - que decolou ontem (29) à noite da Base de
Baikonur, no Cazaquistão, levando o astronauta brasileiro Marcos
César Pontes, o norte-americano
Jeffrey
William e o russo Pavel Vinogradov - deverá chegar à Estação
Espacial Internacional à 1h13 (horário de Brasília) da madrugada de
sábado (1).
Os astronautas permanecerão imóveis por dois dias, quatro horas e 13
minutos. Três horas antes da decolagem, ocorrida às 23h27, eles já
estavam instalados na nave. Para resistir tanto tempo na mesma
posição, os três fizeram, antes de partir, lavagem no intestino e na
bexiga.
O tamanho da cabine onde se encontram os astronautas não permite que
eles se levantem. No espaço cabem apenas as três cadeiras. O Brasil
vai ao espaço 45 anos depois que o russo Iuri Gagarin fez a primeira
viagem. A plataforma russa, de onde decolou o foguete Soyuz, foi
batizada de Iuri Gagarin.
Marcos Pontes foi aplaudido pelas pessoas que assistiam à decolagem,
no auditório do Ministério da Ciência e Tecnologia, quando apareceu
pela primeira vez acenando para a câmera de dentro da nave. O
ministro Sergio Rezende acompanhou, ao vivo, a transmissão. "O
coração disparou na hora em que vimos o foguete porque a
responsabilidade é muito grande. Estávamos ansiosos e estamos num
momento de muita satisfação vendo que a missão está sendo cumprida
com êxito e sucesso", afirmou.
Os brasileiros só poderão ouvir Marcos Pontes na quarta-feira (5),
quando ele vai conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
e com o ministro Sergio Rezende. Do espaço, o astronauta brasileiro
vai fazer três contatos com a terra. O segundo será com os
jornalistas e o terceiro vai ser mantido, já perto da volta, com os
técnicos da missão.
Enquanto o nome da plataforma homenageia o russo Gagarin, o nome da
missão é uma homenagem ao brasileiro Alberto Santos Dumont. Ela foi
batizada de "Centenário", numa alusão aos 100 anos do primeiro vôo
do 14 BIS, construído por Santos Dumont.
Um dia antes da decolagem, os técnicos encheram os tanques do
foguete Soyuz com 200 toneladas de oxigênio líquido e querosene, os
combustíveis usados pela nave. O foguete mede 39 metros, o
equivalente a um prédio de 15 andares. Soyuz divide o combustível em
três andares. Cada andar é descartado quando o combustível acaba
para que o peso do foguete vá diminuindo.
Enquanto os técnicos trabalhavam, Marcos Pontes gravou uma mensagem
para a Força Aérea Brasileira. "Sinto uma certa tranqüilidade, ao
contrário do que poderia imaginar", disse. |