|
Baikonur,
Cazaquistão - A nave espacial Soyuz foi hoje lançada com êxito para
o espaço a partir da base de Baikonur, no Cazaquistão,
levando
uma tripulação russo-norte-americano-brasileira numa missão de dez
dias para a Estação Espacial Internacional (ISS).
O coronel da força aérea brasileira Marcos Pontes, o russo Pavel
Vinogradov e o norte-americano Jeffrey Williams largaram do
cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, às 02:30 TMG (23:29 rm
Brasília), segundo um porta-voz da agência espacial russa Roscosmos.
Pontes é o sexto latino-americano a voar para o espaço. O primeiro
foi o cosmonauta cubano Arnaldo Tamayo, que voou em 1980 com o russo
Yuri Romanenko no primeiro vôo espacial conjunto entre Cuba e URSS.
Acoplada a um foguete Soyuz-FG, de 50 metros de comprimento e 300
toneladas de peso, a nave Soyuz TMA-FG tem como missão principal
transportar Vinogradov e Williams até à Estação Espacial
Internacional (ISS), onde substituirão os seus colegas Valeri
Tokarev e William McArthur, que lá se encontram desde Outubro
passado.
Mas a atenção da missão centra-se no terceiro tripulante, o coronel
da força aérea brasileira Marcos Pontes, de 42 anos, que se
converterá no primeiro astronauta da história do Brasil.
Durante a sua permanência no cosmos, Pontes levará a cabo a missão
"Centenário", que inclui um programa de nove experiências
científicas, médicas e biológicas, nomeadamente no domínio das
nanotecnologias, e ainda observações do território brasileiro com
instrumentos instalados no engenho espacial.
"O vôo do primeiro avião no Brasil aconteceu em 1906. Agora, passado
um século, ocorrerá o primeiro voo de um brasileiro ao cosmos",
explicou recentemente Pontes aos jornalistas.
Vinogradov e Williams ficarão na ISS pelo menos meio ano, mas Marcos
Po ntes regressará à Terra oito dias depois, a 09 de Abril, na
companhia de Tokarev e McArthur, que já estão a fazer as malas para
o regresso.
Os cosmonautas Vinogradov e Williams congratularam-se por participar
num vôo histórico para o Brasil e, tal como Pontes, sublinharam o
fato de integrarem a expedição "13" ou "dúzia do diabo", expressão
em russo usada pelos supersticiosos.
"Na verdade, eu sou a tripulação 'doze e meio', porque partirei com
a ' ISS-13' e regressarei com a 'ISS-12', ironizou, a propósito,
Marcos Pontes.
Antes da sua chegada a Baikonur, o oficial brasileiro admitiu ter
passa do por "certas dificuldades" com a língua e clima rigoroso da
Rússia.
A preparação do brasileiro para esta missão, iniciada em Outubro na
Cidade das Estrelas, perto de Moscou, ficou marcada por um "treino
de sobrevivência" numa floresta russa com temperaturas de menos 30
graus centígrados.
Porém afirmou que a experiência lhe permitiu "adaptar-se" e
"sentir-se à vontade" em qualquer temperatura. Antes, submeteu-se
desde 1998 a um treino no Centro Espacial Johnson, em Houston
(Texas).
Com informações da Agência Lusa. |