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Da Associated Press
Um homem que teve sua mandíbula extraída devido a um câncer recebeu sua
primeira refeição sólida em nove anos, um sanduíche, após o implante de
uma nova mandíbula, que cirurgiões cultivaram nas costas dele ao longo de
sete semanas.
No que os especialistas chamam de um experimento "ambicioso", médicos
alemães usaram um molde, uma substância de crescimento e a própria medula
óssea do paciente, contendo células-tronco, para criar uma nova mandíbula
que se encaixasse exatamente no vão deixado por sua cirurgia de câncer.
Testes ainda não foram feitos para verificar se o osso foi de fato criado
pelas células-tronco, e ainda é cedo para dizer se a mandíbula irá
funcionar normalmente a longo prazo. Entretanto, a operação, descrita na
edição desta semana do periódico médico "The Lancet" (www.thelancet.com),
é o primeiro relato publicado de um osso inteiro que foi projetado e
incubado no corpo de um paciente e depois transplantado.
Embora possa se discutir se o experimento foi ou não um grande avanço
científico, a operação atingiu seu propósito e mudou uma vida, disse Stan
Gronthos, especialista em células-tronco do Instituto de Ciência Médica e
Veterinária em Adelaide, Austrália, que não participou do estudo.
A operação foi feita por Patrick Warnke, um cirurgião de reconstrução
facial da Universidade de Kiel, na Alemanha. O paciente, um homem de 56
anos, teve sua mandíbula inferior e metade de sua língua cortadas quase
uma década atrás, devido a um câncer de boca. Desde então, ele só pôde
ingerir alimentos moles ou sopas, com uma colher.
Normalmente, médicos podem substituir uma mandíbula perdida cortando um
pedaço de osso da perna ou da costela.
Esse paciente não podia passar por esse procedimento porque estava tomando
drogas fortes para combater outra condição. Os médicos consideraram
perigoso demais tirar um osso de outra parte de seu corpo. "Ele exigiu a
reconstrução", disse Warnke. "Esse paciente estava cansado de viver."
Warnke e seu grupo começaram a criar uma mandíbula virtual num computador.
A informação foi usada para criar uma fina moldura de titânio. Pequenos
blocos minerais de osso derivados de vacas foram postos dentro da
estrutura, junto a um fator de crescimento humano que constrói ossos e uma
grande quantidade de sangue extraída da medula óssea do paciente. A medula
contém células-tronco, capazes de se diferenciar em outros tecidos.
Os cirurgiões então implantaram a moldura no músculo abaixo do ombro
direito do paciente, nas costas. O implante foi deixado lá por sete
semanas, quando imagens mostraram nova formação óssea. Ele foi removido de
suas costas há cerca de oito semanas, junto com o músculo em volta, e
adaptado à boca.
Estudos mostraram que o osso continuava a se formar após o transplante.
Quatro semanas após a operação, o homem comeu um sanduíche. Agora ele já
come até bife, mas reclama que precisa cortar em pedaços tão pequenos que,
quando ele termina, está frio.
Paul Brown, da University College de Londres, disse que, porque nenhum
teste mostrou se o novo osso veio de células-tronco, nenhum grande avanço
científico teria sido obtido.
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