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BRASÍLIA - A Polícia Federal apreendeu na
manhã desta segunda-feira sete malas com dinheiro, num avião Cessna que
aterrissou em Brasília. Na aeronave, que vinha de São Paulo, estava o
deputado federal João Batista Ramos da Silva (PFL-SP), bispo da Igreja
Universal do Reino de Deus e presidente licenciado da Rede Mulher e Rede
Família de Televisão, e mais seis pessoas. Eles foram levados para a
Superintendência da Polícia Federal. Em cada mala, a PF encontrou um papel
impresso informando o valor transportado, mas a PF ainda não conferiu se o
valor está correto. Nas duas primeiras malas, foram contados R$ 10
milhões.
Segundo a PF, o deputado disse que o dinheiro transportado é proveniente
de dízimos arrecadados pela Igreja Universal, que seria a proprietária dos
recursos. A PF esclarece que ninguém está preso e que os dois tripulantes
e cinco passageiros do avião estão apenas detidos para prestar
esclarecimentos.
O avião Citation, fabricado pela Cessna, apreendido no Aeroporto Juscelino
Kubistschek, em Brasília, estava indo para Goiânia. De acordo com PF, uma
das sete malas estava tão pesada que foram necessários dois policiais para
carregá-la.
Na sexta-feira passada, a PF prendeu o assessor parlamentar José Adalberto
Vieira da Silva no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. Ele
trabalhava para José Nobre Guimarães, deputado estadual líder do PT na
Assembléia Legislativa do Ceará e irmão do então presidente nacional do
PT, José Genoino. Adalberto Vieira tentava embarcar com uma mala contendo
R$ 200 mil e portava outros US$ 100 mil escondidos dentro da cueca. Os
reais ele justificou como sendo recursos da venda de verduras e legumes,
já que se apresentou como agricultor. Os dólares ficaram sem explicação,
de acordo com a polícia. Na mala, ainda foram encontrados ofícios do
partido e uma agenda comemorativa dos 25 anos do PT.
Adalberto Vieira foi autuado por crime contra o sistema financeiro e ordem
tributária nacional, por conta da quantia de dinheiro que transportava sem
declaração. Segundo investigações, o assessor parlamentar estava em São
Paulo desde quinta-feira e ficou hospedado num hotel na Avenida Faria
Lima, zona oeste da capital. O patrão dele, o deputado José Nobre, afirmou
desconhecer o que o assessor fazia na capital paulista, assim como a
origem do dinheiro que levava.
Devido à ligação do assessor preso com o irmão de Genoino, o episódio
acabou tornando ainda mais complicada a situação do então presidente do
PT, que renunciou ao cargo no dia seguinte, em reunião do diretório
nacional do partido.
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