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11-03-2004 - Madri - Espanha - Por Daniel Trottta |
| Explosões matam 192 em
Madri; Al Qaeda reivindica ataque 20h02 - 11/03/2004 MADRI (Reuters) - Explosões quase simultâneas destruíram quatro trens de subúrbio lotados em Madri na quinta-feira, matando 192 pessoas e ferindo 1.421. Foi o pior atentado na Europa em mais de 15 anos. O governo espanhol culpou inicialmente o grupo separatista Pátria Basca e Liberdade (ETA, no idioma basco), mas uma carta atribuída à rede Al Qaeda foi enviada a um jornal árabe reivindicando a autoria pelas dez explosões, que abalaram os mercados financeiros em todas as partes. Enquanto o mundo recebia imagens da carnificina, a França disse que vai aumentar sua vigilância contra o terrorismo, e a Grécia, onde em agosto acontecem os Jogos Olímpicos, também reforçou a segurança. Após inicialmente culpar o ETA pelo ataque, três dias antes das eleições gerais espanholas, o governo depois anunciou que uma van que havia sido furtada foi encontrada perto de Madri com sete detonadores e uma fita cassete com versículos do Alcorão. "A conclusão desta manhã que apontava [para o ETA] é ainda a principal linha de investigação. [Mas] dei às forças de segurança instruções para não descartar nada", disse o ministro do Interior, Angel Acebes, a jornalistas. Não foi possível confirmar a autenticidade da carta atribuída à Al Qaeda. Uma cópia dela foi enviada por fax à sucursal da Reuters em Dubai pelo jornal árabe Al-Quds Al-Arabi, editado em Londres. "Conseguimos nos infiltrar no coração dos cruzados da Europa e atingir uma das bases da aliança cruzada", disse o texto, que chamou o ataque de "Operação Trens da Morte." Os serviços norte-americanos de inteligência disseram que ainda é cedo para apontar responsáveis pela série de atentados, que tem características tanto do ETA quanto da Al Qaeda, grupo islâmico que já havia ameaçado cometer atentados contra países que, como a Espanha, apoiaram os EUA na guerra do Iraque. O proscrito partido basco Batasuna, acusado pelo governo de ser um braço do ETA, "rejeitou absolutamente" o atentado e negou a participação da guerrilha separatista. BEBÊ ESTRAÇALHADO "O trem foi aberto como uma lata de atum", disse o motorista de ambulância Enrique Sánchez na estação Atocha, a principal de Madri. "Não sabíamos quem atender primeiro. Havia muito sangue, muito sangue." A voz da passageira Ana María Mayor tremia quando ela contava a jornalistas que vira "um bebê estraçalhado". As outras explosões aconteceram nas estações El Pozo, na zona sul da capital, e Santa Eugénia, zona sudeste. O primeiro-ministro José María Aznar pediu aos espanhóis que saiam às ruas contra o ETA na sexta-feira, a exemplo do que já aconteceu depois de outros atentados do grupo. Ele prometeu a prisão dos "criminosos" que cometeram o ataque. O governo decretou três dias de luto oficial e determinou que escolas, museus e o Banco Central fiquem fechados na sexta-feira. O rei Juan Carlos, tradicionalmente um lastro em momentos de turbulência, fez um sombrio discurso pela televisão. Os jornais espanhóis lançaram edições extras, com manchetes como "Massacre em Madri" ou "O nosso 11 de setembro", junto com fotos de passageiros ensanguentados e vagões destruídos. PASSEATAS Vigílias de solidariedade e protestos foram organizadas em Madri, Bilbao (a principal cidade basca) e Barcelona, onde milhares de pessoas saíram nas varandas para bater panelas. Milhares se concentraram em Vitória, a capital do País Basco, aos gritos de "assassinos", diante do governador Juan José Ibarretxe. O ETA já matou cerca de 850 pessoas desde que começou sua luta pela independência do País Basco (dividido entre o norte da Espanha e sul da França), em 1968. O grupo é qualificado de terrorista pelos Estados Unidos e a União Européia. O ataque mais letal já comprovadamente cometido pelo ETA matou 21 pessoas em um supermercado de Barcelona, em 1987. Esse é o atentado mais letal na Europa desde dezembro de 1988, quando uma bomba explodiu a bordo de um avião da empresa norte-americana Pan Am sobre a cidade escocesa de Lockerbie, matando 270 pessoas a bordo e em terra. Aznar convocou uma reunião de emergência do seu gabinete, e os partidos suspenderam a campanha eleitoral. Muitos analistas políticos dizem que a confirmação do envolvimento do ETA favoreceria o Partido Popular, de Aznar, nas eleições de domingo, já que o atual governo assume uma postura muito rígida contra os separatistas. "Se, entretanto, os rumores sobre a Al Qaeda ganharem credibilidade, as coisas podem ser percebidas de forma diferente", afirmou Julián Santamaría, que realiza pesquisas de opinião. Isso porque Aznar foi contra os principais partidos de oposição e grande parte da população quando se aliou aos EUA na questão do Iraque. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, se juntou a outros líderes mundiais na condenação ao atentado, assim como fez o Conselho de Segurança da ONU. As Bolsas européias tiveram o seu pior dia em 2004, por causa da incerteza trazida pelos atentados aos investidores. As Bolsas norte-americanas e o dólar também caíram, em parte pelos atentados, mas também pela divulgação de dados econômicos preocupantes. (Com reportagem de Marta Calleja, Elisabeth O'Leary e Julia Hayley) |
| Fonte: Uol |
Os assuntos assinados são de responsabilidade dos autores.
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