Lula anuncia investimento de R$ 2,9 bilhões em
saneamento básico neste ano
15:16
Paula Medeiros
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que
vai investir neste ano R$ 2,9 bilhões em saneamento básico no país.
Segundo o presidente, isso resultará em um total de R$ 4,6 bilhões de
recursos para saneamento nestes 15 meses de governo contra os R$ 262
milhões investidos em 2002. “Posso garantir que vamos investir em
saneamento básico, no meu governo, o que não foi investido em algumas
décadas neste Brasil. E não faço isso por mim, faço isso porque acho
que as crianças brasileiras têm o direito, já que são pobres, de
brincar pelo menos em um local em que não disputem com dejetos o lugar
de brincar”, afirmou.
Lula ressaltou a importância das obras de saneamento básico para
garantir qualidade de vida à população de baixa renda. “Eu já morei em
uma rua que não tinha guia, que não tinha sarjeta, de barro vermelho.
Eu tinha que andar quase um quilômetro para ir trabalhar e, no dia em
que colocaram uma sarjeta naquela rua, tive a impressão que tinha ido
para o céu”, contou.
Em solenidade realizada no início da tarde de hoje, no Palácio do
Planalto, foram assinados 249 contratos, no valor de R$ 2,125 bilhões,
para obras de saneamento ambiental. Deste total,
R$ 1,264 bilhão serão investidos nas regiões metropolitanas. Os
recursos serão emprestados a 70 municípios, seis empresas estaduais,
cinco governo estaduais e ao Distrito Federal, para implantação e
ampliação de sistemas de água, esgotamento sanitário, lixo e drenagem.
As obras irão beneficiar 1,8 milhão de famílias e gerar 500 mil postos
de trabalho. “Nós estamos dando hoje um passo que não é dado no Brasil
há muitos e muitos anos”, afirmou o presidente.
Lula ressaltou que sua política prioriza o atendimento às camadas mais
pobres da população e lembrou que os investimentos feitos em
saneamento básico pelos governos anteriores não foram suficientes.
“Nós herdamos uma situação desoladora no setor de saneamento público,
com carências históricas que se agravaram nas últimas décadas”,
ressaltou.
Segundo o presidente, 45 milhões de brasileiros não têm acesso ao
serviço de abastecimento de água potável, 83 milhões não têm esgoto
sanitário e 14 milhões não dispõem de coleta de lixo. Mesmo entre
aqueles que têm acesso ao serviço de coleta de esgoto, lembrou Lula,
39 milhões de pessoas ainda têm os dejetos despejados in natura
em cursos d'água ou no solo, o que compromete rios, áreas de
mananciais e praias, dificultando o fornecimento de água de boa
qualidade à população.
“A esses problemas somam-se as desigualdades regionais. Na região
Sudeste, 88,3% da população já é atendida por serviços de saneamento
básico. Em contrapartida, mais de 50% das 19 milhões de pessoas que
não dispõem de acesso a esses serviços nas áreas urbanas vivem nas
regiões Norte e Nordeste do Brasil”, acrescentou Lula.
Os indicadores de saúde, segundo Lula, também atestam a precariedade
do quadro sanitário do país: “As taxas de mortalidade infantil são
ainda muito elevadas, se comparadas com as de países com a renda per
capita igual à brasileira”, disse. A média nacional indica que, de
cada mil crianças nascidas, ocorrem 28 óbitos antes que elas completem
um ano de vida. O presidente lembrou que dados da Organização Mundial
de Saúde (OMS) indicam que para cada R$ 1 investido em saneamento
básico, são economizados R$ 4 em tratamento de saúde.
O presidente Lula disse que está concluindo uma proposta de projeto de
lei que estabelece uma política nacional de saneamento ambiental com a
criação de um marco regulatório para o setor. Essa proposta, segundo o
presidente, deverá ser encaminhada ao Congresso Nacional até o final
deste mês. “Isso resgata uma dívida histórica de nosso país na área de
saneamento básico”, afirmou.
Lula anunciou também a liberação de recursos para restaurar sete mil
quilômetros de estradas até o final deste ano. Segundo o presidente,
essas obras irão gerar cerca de 250 mil empregos diretos e indiretos.
Ele informou que serão selecionados os pontos mais críticos das
estradas e os corredores por onde circula a maior parte da safra
agrícola. “Isso permitirá que tanto as pessoas quanto a nossa produção
circulem de modo mais rápido e mais barato pelo nosso Brasil”,
garantiu.