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Brasília – A secretária especial da Pessoa com
Deficiência e Mobilidade Reduzida da Prefeitura de São Paulo, Mara Gabrilli,
disse hoje (6) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos que detalhou
ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em março de 2003, todo um esquema de
corrupção na cidade de Santo André (SP).
Ela relatou que foi a Lula "pedir para que o presidente promovesse uma
intervenção federal na prefeitura de Santo André". Segundo ela, o presidente
estava acompanhado de dona Marisa e três assessores, e ela com sua assistente.
"Comecei contando a situação de saúde de meu pai, o pagamento de caixinha todo
dia 30, e o presidente fazia perguntas dando a entender que não sabia de nada",
disse ela. Segundo disse, Lula pediu para um assessor anotar alguns pontos disse
que "iria tomar providências a respeito". Mara Gabrilli afirmou que "nada foi
feito".
A secretária especial de São Paulo disse ter mostrado, na casa do presidente,
que as irregularidades na prefeitura e as represálias à empresa de transporte do
pai, Lizaberto Júlio Gabrilli Filho, continuavam mesmo depois da morte do
prefeito Celso Daniel e "só o sistema de caixinha mensal para arrecadação de
dinheiro havia cessado". Segundo conta, "a empresa estava sofrendo retaliações
por parte da prefeitura, que privilegiava outras empresas em detrimento da de
meu pai".
À CPI dos Bingos, Gabrilli, que se filiou ao PSDB no passado, afirmou que não
estava ali como secretária, mas como filha de Lizaberto Júlio Gabrilli Filho,
empresário na área de transporte desde 1961. "A pressão que meu pai começou a
sofrer o deixou doente e, por conta de três pessoas, uma dentro da prefeitura de
Santo André, o (hoje ex-)secretário de serviços municipais, Klinger de Oliveira,
o empresário Ronan Pinto, e Sérgio Sombra (Sérgio Gomes da Silva, ex-segurança
de Celso Daniel), ele se transformou em outra pessoa, "tensa e abalada, com o
nível de corrupção montado".
Mara também afirmou que a conversa foi acompanhada por um dos assessores do
presidente, "um homem alto e de barba", que teria dito a ela, "de maneira
impositiva", para não falar com a imprensa sobre o teor da conversa com o
presidente e mencionasse apenas que teriam falado sobre "reabilitação de
portadores de deficiência física".
A história havia sido contada à CPI pela irmã de Mara, a empresária Rosângela
Gabrilli, no dia 23 de novembro. Rosângela é uma das proprietárias da Expresso
Guarará, empresa de transporte coletivo com sede em Santo André. |