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Lula x Primos

       

Lula prega união comercial com "primos" do Líbano
14h13 - 05/12/2003


Por Walter Brandimarte, enviado especial

BEIRUTE (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta sexta-feira o estreitamento de laços políticos e culturais entre Brasil e Líbano como caminho para expandir o comércio bilateral e quebrar as barreiras comerciais impostas por nações mais ricas.

Lula se aproveitou dos laços históricos entre as duas nações --estima-se que haja perto de 8 milhões de descendentes libaneses no Brasil-- e elogiou as habilidades comerciais do povo do Líbano, afirmando que o empresariado brasileiro precisa aprender a negociar com eles.

"Se sozinhos nenhum de nós pode competir com países ricos, juntos teremos muita força para fazermos que os países ricos flexibilizem suas regras", afirmou a empresários em Beirute, referindo-se a disputas na Organização Mundial do Comércio.

Ele encerrou o discurso com humor, afirmando que Brasil e Líbano são países irmãos. "A gente pode dizer uma frase que vocês utilizam muito no Brasil: Nós somos 'brimos' de verdade", brincou, usando o sotaque próprio dos descendentes árabes no país.

Depois disso, o presidente voltou à mesa de autoridades, levantou um brinde com taças cheias de água e foi aplaudido. Na platéia, havia cerca de 250 empresários libaneses e 30 brasileiros, entre eles Naji Nahas, libanês radicado no Brasil, conhecido por causar a quebra de várias corretoras em 1989, agravando o processo de esvaziamento da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.

POTENCIAL SUBAPROVEITADO

Lula considerou que os números do comércio bilateral entre Brasil e Líbano são muito inferiores ao potencial das nações. Além disso, reconheceu que a balança comercial entre os dois países precisa se equilibrar, com o aumento das exportações libanesas para o Brasil.

De janeiro a outubro de 2003, o Brasil exportou quase 46 milhões de dólares e importou apenas 3 milhões de dólares do Líbano, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior. Os principais produtos da pauta de exportação brasileira são carne boniva, café e castanha de caju.

Entre as iniciativas para a facilitação dos negócios, o presidente citou planos para a criação de linha marítima direta entre os dois países e a reabertura de vôos diretos entre Beirute e São Paulo no início do ano que vem.

BASE DE COMÉRCIO

O presidente voltou a vender o Brasil como porta de entrada para os produtos árabes na América do Sul. E afirmou querer estabelecer no Líbano uma base comercial do país no Oriente Médio.

A intenção do governo brasileiro, revelou o ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), é fazer parcerias com países árabes para ajudar na reconstrução do Iraque.

"O Brasil está buscando pontes que possam permitir a participação indireta na reconstrução do Iraque. Isso pode ser feito pelo Kuweit, pelos Emirados Árabes, pela Arábia Saudita, pelo Líbano", afirmou o ministro a jornalistas, após discurso do presidente Lula na Assembléia Nacional do Líbano.

As oportunidades surgidas na reconstrução do Iraque interessam ao Brasil principalmente porque, segundo Furlan, o mercado imobiliário dos países árabes é reduzido. Na capital libanesa, um grande trabalho de reconstrução foi empreendido após a destruição causada por guerras no final da década de 1980. Hoje, Beirute tem ruas largas e um centro completamente modernizado.

 
 

 

 

 

Fonte: Uol

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Os assuntos assinados são de responsabilidade dos  autores.

     

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