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O senador Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM)
repudiou, em Plenário, o que chamou de provocação do deputado
Henrique Fontana (PT-RS), durante a reunião da Comissão Parlamentar Mista
de Inquérito dos Correios, na noite de quarta-feira (13). O deputado, que
é suplente na CPI, perguntou a Luiz Otávio Gonçalves, diretor da empresa
Skymaster, que presta serviços aos Correios, se a empresa havia colaborado
para a campanha do senador. O senador entende que a pergunta foi feita com
a intenção de colocar em dúvida sua honra e esclareceu que a Skymaster
colaborou com R$ 50 mil para sua campanha como pessoa jurídica, o que é
totalmente legal pela atual legislação.
- E eu não colaborei em nada para que
essa empresa ou qualquer outra subisse ou descesse na vida - garantiu
Arthur Virgílio, expondo a prestação de contas de sua campanha e
informando que gastou pouco mais de R$ 1,6 milhão para eleger-se senador
pelo Amazonas.
Arthur Virgílio afirmou que todas as doações
que recebeu estão declaradas e que não fez "caixa dois", acrescentando que
o Tribunal Regional Eleitoral aceitou as suas contas. O senador
apresentou em Plenário toda a documentação contendo o nome dos
colaboradores de sua campanha e parecer do Ministério Público e do TRE,
pedindo que tudo conste nos Anais do Senado.
O senador também contestou as contas
apresentadas por alguns senadores, como Jefferson Péres (PDT-AM), Aloizio
Mercadante (PT-SP) e Eduardo Suplicy (PT-SP), afirmando que os números não
são verdadeiros. O parlamentar disse ainda que há R$ 12,8 milhões doados à
campanha do presidente Lula que ele não foram explicados.
Visivelmente irritado e se dizendo
transtornado, Arthur Virgílio disse que não admite provocações desse tipo.
- Eu não sou Delúbio, nem Sílvio Pereira nem
José Dirceu. Não faço parte desse governo corrupto. O governo não pode
tentar se defender acusando pessoas - disse, acusando o governo do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ocultar a verdade dos fatos.
-
Chega dessa história de Lula não saber das coisas - disse, acrescentando
que se o presidente Lula não tinha conhecimento da suposta corrupção no
governo, "ele é um idiota e, se sabia, é um corrupto".
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) defendeu o
presidente Lula, argumentando que ele pediu, em reunião ministerial, que o
seu governo não fosse defendido com ataques aos adversários. Ele disse
ainda que o deputado Henrique Fontana lhe explicara que, antes de sua
intervenção na CPI, seis parlamentares do PSDB haviam tentado lançar
suspeitas sobre as doações da empresa Promodal à campanha de Lula à
Presidência. O senador também garantiu que suas contas de campanha estão
corretas e que, se for preciso, pode provar isto.
Arthur Virgílio também criticou o
comportamento dos parlamentares que argüiram o deputado Roberto Jefferson
(PTB-RJ) na CPI dos Correios. Para o senador, eles deveriam ter reagido
quando o deputado afirmou que ali ninguém era melhor do que ele.
- Se estivesse lá, eu teria dito que há a
diferença de nós estarmos fazendo perguntas e ele respondendo e que se a
sua campanha tinha caixa dois, a minha não teve - disse.
Em aparte, os senadores Eduardo Azeredo
(PSDB-MG), José Agripino (PFL-RN), Mão Santa (PMDB-PI), Rodolpho Tourinho
(PFL-BA), Geraldo Mesquita (PSOL-AC) e Sibá Machado (PT-AC) prestaram
solidariedade a Arthur Virgílio e testemunhando a favor de sua
honestidade.
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