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O deputado Osmar
Serraglio (PMDB-PR), relator da CPI Mista dos Correios, fez uma previsão
sombria sobre o futuro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: "Vamos ver
acontecer o que aconteceu com Collor". O deputado se refere ao processo de
impeachment que culminou com a cassação do ex-presidente Fernando Collor,
em 1992.
Serraglio fez esta
declaração na última sexta-feira à noite, durante o programa
Entrevista Coletiva , da TV Tarobá, de Cascavel ((PR). O deputado -
que foi escolhido relator por ser de confiança do governo Lula - garantiu
aos entrevistadores que a CPI irá até as últimas conseqüências. Foi
categórico: no que depender dele, as denúncias de corrupção serão apuradas
"rigorosamente".
Em relação a Lula, disse
que ele foi "omisso" ao tratar das denúncias de corrupção, sobretudo
quanto ao mensalão , sobre o qual o presidente foi alertado pelo
governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e pelo deputado Roberto
Jefferson (PTB-RJ). Na opinião de Serraglio, se forem comprovadas a
existência do mensalão e a conivência do governo petista com essa
irregularidade, vários deputados serão cassados e aí, diz ele, se repetirá
o que aconteceu com Collor.
Sobre o mensalão
- que poderá ser investigado pela CPI dos Correios ou por outra CPI
específica - Serraglio disse acreditar em sua existência. "Acredito, mas
não sei em que nível", disse o deputado. "Fala-se em partidos, mas tem
muita gente séria nesses partidos", ressalvou.
Segundo ele, a
existência do mensalão era sussurrada há meses no Congresso e não
foi investigada antes porque "ninguém faz nada antes de ter informações
mais detalhadas".
O relator da CPI, que
sentiu-se incomodado quando classificado de "chapa branca" por pertencer à
ala governista do PMDB, admitiu apoiar o governo, mas com "ressalvas".
Entre elas, apontou a ocupação da máquina administrativa por petistas. Em
segundo lugar, a capacidade técnica do primeiro escalão do governo. "Acho
que ele (o presidente Lula) tinha que ter sido mais criterioso na
composição do ministério". (AE)
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