BRASÍLIA - Líderes oposicionistas classificaram o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva de "desequilibrado" e de "emocionalmente abalado",
ao reagirem às declarações feitas por ele, que chamou ontem setores da
oposição de "golpistas". Líderes ainda afirmaram que, se dessem golpes,
Lula teria sido afastado do cargo por causa das denúncias contra o
governo.
"Se
houvesse golpismo por parte da oposição, ele já teria sofrido processo
de impeachment. O governo acumula recordes de denúncias de corrupção
sistêmica", afirmou o líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia
(PFL-BA). Aleluia ressaltou que as acusações que atingiram a
administração federal partiram de ex-aliados do presidente, de membros
do PT, do Ministério Público (MP) e da imprensa.
"Não há
intenção golpista. A oposição tem o dever de fazer sugestões, criticar e
fiscalizar. É um governo sob suspeita", continuou. "O presidente está,
de forma acelerada, perdendo a compostura de chefe de Estado", criticou.
A
declaração de Lula piorou a relação com os partidos de oposição, às
vésperas de o Congresso votar a proposta de Orçamento da União. "O
orçamento do presidente Lula é uma farsa. Estabelece um crescimento de
4% do Produto Interno Bruto (PIB), sabendo que isso não irá acontecer. É
difícil aprovar algo que é uma farsa. Além disso, o relacionamento é
muito ruim (entre oposição e governo) porque o presidente não estava
preparado para governar", disse. Para o líder do PFL na Câmara, Rodrigo
Maia (RJ), Lula "deve estar emocionalmente abalado com o aparecimento
sistêmico de denúncias contra o governo e contra o PT".
Maia
citou a revelação de que o PT pagou R$ 1 milhão em dinheiro a Companhia
de Tecidos Norte de Minas (Coteminas), empresa do vice-presidente e
ministro da Defesa, José Alencar, como parte de uma dívida de R$ 12
milhões como mais uma suspeita sobre a qual o presidente deveria dar
explicações.
"O PT
não tinha capacidade de crédito para comprar R$ 12 milhões em camisetas.
Isso só pode ter acontecido com ingerência política numa empresa de
capital aberto", afirmou. "O presidente precisa parar de culpar a
oposição pela corrupção que ocorreu no seu governo", disse.
"O
presidente Lula começa a dar demonstração de desequilíbrio", afirmou o
líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP). Goldman defendeu a
oposição e lembrou que, no passado, quando Lula e o PT se opunham à
gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a legenda pediu "Fora
FHC". "Estamos trabalhando para vencermos as eleições do ano que vem e
torcemos para que ele (Lula) deixe o Brasil sem o desastre que se
anuncia na sua política", disse.
O líder
do PSDB na Câmara também fez uma comparação à Venezuela para concluir
que são situações completamente diferentes. "Não temos nenhuma
semelhança em qualquer ação nem com movimentos populares nem com as
Forças Armadas. Portanto, (as declarações) mostram que a perda de
respeitabilidade e credibilidade do presidente Lula está começando a
afetar o seu equilíbrio", completou.
O
presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), classificou
de "reclamações improcedentes" as declarações do presidente. "Tenho pena
de nós, brasileiros, que teremos de aturar por mais um ano essa
lenga-lenga do irresponsável presidente, o mais incompetente da nossa
história republicana", reagiu.