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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse
na tarde desta quinta-feira em Jaguaré, no Espírito Santo, que omitiu
informações sobre suposta ocorrência de corrupção
em alguns processos de
privatização da gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso
(1995-2002).
Sem citar nomes, Lula revelou que, quando assumiu o governo federal, teria
sido informado por uma pessoa de que o processo de corrupção que aconteceu
nas privatizações foi "grande" e que algumas delas que foram feitas
"levaram a instituição a uma quebradeira".
Depois da conversa, o presidente disse ao interlocutor que ele só teria o
direito de dizer a verdade ao presidente. Na ocasião, a orientação de Lula
foi manter as informações em segredo.
"Para fora, feche a boca e diga que a nossa instituição está preparada
para ajudar no desenvolvimento deste país", teria dito Lula ao
interlocutor que, segundo o presidente, não entendeu inicialmente o
conselho.
"Eu dizia para ele: 'é isso mesmo,' porque se nós, com três dias de posse,
ou com três meses de posse, saíssemos pelo Brasil vendendo a idéia de que
determinadas coisas importantes em que a sociedade brasileira acredita, se
determinadas instituições de que a República tanto necessita, como uma
espécie de alavanca para o desenvolvimento deste país, se a gente saísse
dizendo que estavam quebradas, eu me pergunto: que mensagem nós íamos
passar à sociedade? Tanto à sociedade interna, quanto à sociedade
externa?", questionou o presidente.
Lula disse que tornar públicas as informações sobre corrupção poderia ser
bom se ele tivesse tomado a decisão de "achincalhar" o governo FHC.
"E eu tomei uma decisão muito pessoal e fiz com que o governo assumisse
essa posição, de que o presidente que tinha deixado o governo [FHC], tinha
feito aquilo que ele entendia que deveria fazer, e eu, ao invés de ficar
preocupado com o que ele deixou de fazer, deveria me preocupar com o que
eu tinha que fazer neste país", revelou.
"Portanto, se tinha alguma coisa que não estava funcionando, não era mais
da responsabilidade de quem tinha deixado o governo, mas era da
responsabilidade de quem tinha assumido o governo."
Segundo Lula, um dos problemas enfrentados foi com a Petrobras. "Os
companheiros da Petrobrás estão lembrados que no meio da campanha nós
compramos uma briga sobre a questão da construção da P-51 e da P-52. E a
cada reunião eu recebia testemunhos e documentos de que a Petrobras tinha
condições de produzir a plataforma aqui. Até que fui pego de supressa com
uma matéria paga nos jornais, feita pela ex-direção da Petrobras, dizendo
que eu não sabia do que estava falando, que a Petrobrás não tinha
condições de produzir as plataformas aqui", disse.
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FELIPE RECONDO
da Folha Online, em Brasília
O PSDB decidiu processar o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva pelas suas declarações feitas hoje no Espírito Santo.
Lula disse que impediu a divulgação de casos de corrupção nos processo de
privatização, ocorridos durante a gestão do ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso (1995-2002).
Em resposta, o presidente teria dito ao "companheiro": "Olha, se tudo isso
que você está me dizendo é verdade, você só tem o direito de dizer para
mim. Daí para fora você fecha a boca e diga que a nossa instituição está
preparada para o desenvolvimento do país".
De acordo com o presidente, ele não poderia falar que instituições
importantes para o desenvolvimento do país estavam quebradas.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), afirmou que Lula
confessou um crime. "O mais alto magistrado da nação confessa, com
desplante incompatível com a sobriedade, ter infringido dispositivo do
Código Penal. Confessa crime de prevaricação", disse. "Sua declaração é de
absoluta irresponsabilidade."
"É inaceitável, e até sujeito a impeachment, comportamento como esse do
presidente da República, que tem de apresentar-se sempre com sobriedade e
responsabilidade perante a Nação", concluiu.
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