|
09:50
Edla Lula
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A China foi o primeiro país citado pelo presidente Luiz
Inácio Lula da Silva quando, no discurso de posse, anunciou o
propósito de estreitar laços com países em desenvolvimento. Não
foi à toa. Os planos eram de enviar uma missão àquele país ainda
no início do ano passado. Mas a visita foi adiada por causa da
epidemia de pneumonia asiática que matou mais de 700 pessoas e
infectou outras 8.000 no mundo.
Oficialmente, a visita começará no domingo (23), mas o presidente
deixará Brasília às 10h de sexta-feira (21), com chegada a Pequim
prevista para as 21h30 (horário local) de sábado (22). No dia 25,
o presidente seguirá para Xangai, onde permanecerá até o dia 27.
A viagem será feita não apenas porque a China é hoje a sexta maior
economia do mundo e caminha para a segunda colocação, com índices
de expansão econômica variando entre 9% e 10% ao ano há mais de 20
anos. Além de ampliar a balança comercial, Lula pretende
consolidar a parceria com a China na sua odisséia pelo equilíbrio
de forças na ordem mundial, simbolizadas pelo G-20 (grupo de
países em desenvolvimento que pedem um comércio internacional mais
justo), criado na rodada de Cancun da Organização Mundial do
Comércio (OMC). A seu favor, o presidente brasileiro tem as
coincidências entre as posições adotadas pelos dois países nos
foros internacionais.
Como Lula, o presidente Hu Jintao defende na OMC a abertura dos
países desenvolvidos aos produtos dos emergentes e o fim das
barreiras, especialmente no setor agrícola. Os dois possuem um
discurso multilateralista em que pedem o fim da hegemonia dos
Estados Unidos e União Européia. Um exemplo foi o encontro do G-8
(grupo dos sete países mais ricos do mundo, mais a Rússia) em
Evian, Suíça, em maio do ano passado: os discursos de ambos os
presidentes foram muito elogiados e coincidiam no apelo pela
repartição da riqueza mundial aos países mais industrializados do
mundo.
Igualdades
Jintao é parceiro de Lula na campanha pela democratização da
Organização das Nações Unidas e apóia a entrada do Brasil no
Conselho de Segurança, do qual a China já é membro. “Estamos
atuando juntos porque pensamos de maneira igual sobre a OMC e os
direitos dos paises em desenvolvimento de partilharem um pouco da
riqueza do mundo, além de fazer com que os nossos produtos sejam
vendidos em um maior número de países”, resume Lula.
As similaridades entre Brasil e China também se vêem no paradoxo
entre a riqueza produzida e realidade social da população, com
profundas desigualdades. O presidente brasileiro vai levar para o
colega chinês a experiência brasileira do combate à fome e
pretende convidá-lo a participar dos debates em torno da criação
do fundo internacional da pobreza, idealizado por Lula.
Entre os muitos resultados esperados nesta visita oficial do
presidente brasileiro está a criação da comissão bilateral de alto
nível, para discutir temas políticos, sociais e econômicos. “A
China não tem o hábito de criar comissões desse tipo com outros
países”, ressalta o ministro das Relações Exteriores, Celso
Amorim, para atestar a importância política que o governo chinês
dá ao Brasil.
|