Site de militares chama Lula de beócio
SÃO PAULO - A página Terrorismo Nunca
Mais na internet, que representa interesses
da direita militar e de militares que
atuaram na repressão durante a ditadura
(1964 a 1985), qualifica o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva como "beócio" e
"sujeito inculto e despreparado", por ter
usado a expressão "bando de general", em
discurso, segunda-feira, no almoço de fim de
ano com 140 oficiais.
Os militares que ouviram o discurso,
entre eles, os ministros, são chamados de
"bando de cordeiros" na página. "O beócio
aproveitou sua fama de só falar besteiras,
em improvisos, para praticar uma covarde
agressão."
Há cinco anos na internet (www.ternuma.com.br),
onde tem disponíveis documentos internos dos
órgãos repressivos e ataca com virulência
ex-militantes da esquerda que estão no
poder, o Ternuma, como é conhecido, não
identifica os editores responsáveis. Um dos
alvos preferidos é o chefe da Casa Civil,
José Dirceu, chamado, entre outras coisas,
de "brasileiro-cubano".
Os ministros José Viegas (Defesa), Dilma
Roussef (Minas e Energia) e Antônio Palocci
(Fazenda) e o secretário dos Direitos
Humanos, Nilmário Miranda, também são
atacados. A Lula, o site dedica um "festival
de micos e mancadas", intitulado "Cala a
boca, Magda!"
O Ternuma reuniu nos últimos dois meses
pronunciamentos de grupos militares
descontentes com o governo - entre eles o
último manifesto do Grupo Guararapes, que
diz estar "vivo" e "representar 233 civis,
23 oficiais-generais, 212 oficiais
superiores e 28 capitães e tenentes".
Identificam-se pelo grupo, todos reformados,
o tenente-brigadeiro Rodopiano de Azevedo
Barbalho, o general-de-divisão Francisco
Batista Torres de Melo, e os
generais-de-brigada Luciano Salgado Campos e
Luiz Henrique de Oliveira Domingues.
O texto critica, entre outras coisas, a
condecoração com a Medalha do Pacificador do
presidente nacional do PT, José Genoino, que
lutou na guerrilha do Araguaia. O presidente
do Clube Militar, general da reserva Luiz
Gonzaga Schroeder Lessa, protestou contra a
homenagem.
O protesto, "Campanha contra as Forças
Armadas - Alerta!", está no site, assim como
o manifesto de oficiais da turma de 1958 da
Academia Militar das Agulhas Negras. Lessa
critica "as vultosas indenizações aos
'perseguidos', muitos dos quais traidores ou
terroristas", a distribuição de "salários
vultosos" e a outorga de "honrarias e
condecorações, a mais das vezes
injustificadas, com ampla divulgação da
mídia".