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21/04/2005 - Lula autoriza asilo territorial a ex-presidente do Equador

                                                               
 

 

Da redação - sitepopular

 

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou na tarde desta quinta-feira que o Ministério da Justiça autorize o asilo territorial ao ex-presidente do Equador Lucio Gutiérrez.

Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) partiu de Brasília com direção a Rio Branco, no Acre, onde aguarda autorização do governo brasileiro para ir buscar Gutiérrez no Equador.

Desde ontem, a pedido da Presidência, uma tripulação da Aeronáutica ficou de prontidão, à espera de ordens para voar a Quito.

Os governos brasileiro e equatoriano ainda negociam um salvo-conduto para que o ex-presidente possa deixar a sede da embaixada brasileira em Quito e ir ao aeroporto sem que seja detido.

O Ministério das Relações Exteriores informou que o Brasil está tomando as providências necessárias para concluir até o fim do dia o processo de concessão de asilo territorial.

De acordo com o Itamaraty, a expectativa é de que a concessão do asilo territorial seja formalizada, o que abriria caminho para a chegada de Gutiérrez ao Brasil ainda nesta quinta-feira.

O Brasil já anunciou que aceita conceder o asilo territorial a Gutiérrez, mas a chegada do ex-líder equatoriano ao país ainda dependia da aprovação técnica do Ministério da Justiça.

Missão sul-americana

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, também integrará uma missão Comunidade Sul-Americana de Nações que viajará para o Equador a fim de ajudar na solução da crise política do país.

Amorim viajará acompanhado dos chanceleres do Peru, Manuel Rodríguez Cuadros, e da Bolívia, Juan Ignacio Siles del Valle.

Uma nota da Comunidade divulgada pelo Itamaraty diz que os chanceleres “da tróica” vai se juntar à Secretaria Pro Tempore do Grupo do Rio (Argentina), “para dialogar com as forças políticas equatorianas e colaborar na construção de um clima de entendimento que leve à plena normalização e institucionalização do quadro político-jurídico e à paz social para todos os equatorianos”.

A comunidade sul-americana de nações é formada por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana e Suriname e conta ainda com o México e o Panamá como observadores.

Gutiérrez no Brasil

O ministro Marcio Thomaz Bastos deverá definir algumas condições para a permanência de Gutiérrez no Brasil. Entre elas, a proibição do exercício da atividade política no país.

Na quarta-feira, o governo brasileiro concedeu asilo diplomático a Gutiérrez, que passou a noite na embaixada do Brasil O líder equatoriano foi destituído do cargo depois que o Congresso do Equador aprovou uma moção que o acusava de “abandonar o posto”.

O asilo diplomático e o asilo territorial são dois tipos de asilo político. De acordo com a Constituição brasileira, o asilo é uma “proteção concedida ao estrangeiro perseguido em seu território por delitos políticos, convicção religiosa, situação racial, excluídos aqueles previstos na legislação penal comum”.

Ao justificar a concessão de asilo político ao presidente deposto do Equador, o governo brasileiro afirmou que a medida é uma "tradição regional e instituto do Direito Internacional Público".

O vice-presidente Alfredo Palácio foi nomeado substituto de Gutiérrez no Equador. Palácio já prestou juramento e, como primeira medida, anunciou o fechamento das fronteiras nacionais.

Cardiologista de 66 anos, Palácio concedeu a sua primeira entrevista coletiva como presidente na noite de quarta-feira.

O sucessor de Gutiérrez disse que a sua posse "está dentro do marco constitucional e da legalidade" e prometeu fazer uma "reestruturação profunda" do Estado equatoriano, que qualificou como "obsoleto".

OEA

Depois de uma curta sessão, a Organização dos Estados Americanos (OEA), com sede em Washington, adiou para esta sexta-feira a reunião que vai decidir a postura da organização em relação ao Equador.

A reunião foi adiada porque o representante do Equador não soube esclarecer os detalhes da saída de Gutiérrez do cargo.

O pedido foi feito pelo embaixador do Peru, Alberto Borea. O grupo não concordou com o reconhecimento ao novo governo, como queria o representante do Equador.

Na reunião desta sexta-feira, a OEA pode pedir a aplicação do capítulo democrático da organização, e se a entidade decidir que o processo não ocorreu de forma democrática o Equador pode até ser expulso do grupo.

 

            

 

 Fonte:  Sitepopular / BBC

 

 

Os assuntos assinados são de responsabilidade dos  autores

 
 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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