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11/02/2006 - Jornal do Brasil

Presidente Lula fecha o corpo em ritual vodu na África

 

Presidente participa de ritual vodu em Benin, na África, e se diz ''mais leve''
 

OUIDAH, BENIN - Com o Portal do Não Retorno ao fundo, no vilarejo praiano de Ouidá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou ontem uma ajuda contra a ''urucubaca'' que diz atrapalhar o seu governo. Esteve num ritual de vodu, fechou o corpo e afirmou que ficou ''mais leve''.

- Vocês participaram junto comigo, vocês viram que... até vocês estão mais leves - afirmou o presidente.

Em Benin, cerca de 60% da população é adepta do culto.

Ouidah é a principal cidade do Benin - de onde os escravos partiam principalmente para o Brasil. O Portal do Não Retorno é um monumento construído em 1995 para lembrar o que sentiam os que eram enviados para longe.

Logo em seguida, Lula assistiu ao ritual de vodu. Na cerimônia, homens ficam sob uma espécie de cabana de palha e dançam. Segundo uma moradora explicou ao presidente, por meio de uma intérprete, os espíritos podem se transformar em qualquer coisa para se proteger. Lula ficou interessado. Brincou se podia ''abrir para ver o que tem dentro'' das cabanas.

Após a cerimônia, Lula se encontrou com o oitavo chachá, Feliciano Julião de Souza. O chachá só existe no Benin. Criado em 1818, representa antigos escravos retornados e que se uniram a já extintos traficantes de negros. Segundo estudiosos, é uma forma de tentar apagar a escravidão.

Lula fez um breve discurso para cerca de 200 pessoas na casa do chachá, em Ouidah. Não pediu desculpas, como fizera outras vezes, mas reconheceu o fardo da escravidão.

- Não adianta agora ficar apenas chorando o que aconteceu no passado. É preciso pensar em construir o futuro.

Em Moscou, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, defendeu o anúncio da candidatura à reeleição de Lula antes de junho, contrariando a vontade do presidente de retardar a decisão. Palocci negou também que deixará o cargo para assumir a coordenação da campanha ou outro posto no governo, assegurando que fica à frente da economia até o final da gestão.

 
 

         

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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