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OUIDAH, BENIN - Com
o Portal do Não Retorno ao fundo, no vilarejo praiano de Ouidá, o
presidente
Luiz Inácio Lula da Silva ganhou ontem uma ajuda contra a
''urucubaca'' que diz atrapalhar o seu governo. Esteve num ritual de
vodu, fechou o corpo e afirmou que ficou ''mais leve''.
- Vocês
participaram junto comigo, vocês viram que... até vocês estão mais
leves - afirmou o presidente.
Em Benin, cerca de
60% da população é adepta do culto.
Ouidah é a
principal cidade do Benin - de onde os escravos partiam
principalmente para o Brasil. O Portal do Não Retorno é um monumento
construído em 1995 para lembrar o que sentiam os que eram enviados
para longe.
Logo em seguida,
Lula assistiu ao ritual de vodu. Na cerimônia, homens ficam sob uma
espécie de cabana de palha e dançam. Segundo uma moradora explicou
ao presidente, por meio de uma intérprete, os espíritos podem se
transformar em qualquer coisa para se proteger. Lula ficou
interessado. Brincou se podia ''abrir para ver o que tem dentro''
das cabanas.
Após a cerimônia,
Lula se encontrou com o oitavo chachá, Feliciano Julião de Souza. O
chachá só existe no Benin. Criado em 1818, representa antigos
escravos retornados e que se uniram a já extintos traficantes de
negros. Segundo estudiosos, é uma forma de tentar apagar a
escravidão.
Lula fez um breve
discurso para cerca de 200 pessoas na casa do chachá, em Ouidah. Não
pediu desculpas, como fizera outras vezes, mas reconheceu o fardo da
escravidão.
- Não adianta agora
ficar apenas chorando o que aconteceu no passado. É preciso pensar
em construir o futuro.
Em Moscou, o
ministro da Fazenda, Antonio Palocci, defendeu o anúncio da
candidatura à reeleição de Lula antes de junho, contrariando a
vontade do presidente de retardar a decisão. Palocci negou também
que deixará o cargo para assumir a coordenação da campanha ou outro
posto no governo, assegurando que fica à frente da economia até o
final da gestão. |