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08/03/2006 - Por Rafael Imolene

O MEGA-LUCRO DA PETROBRÁS EM CIMA DO POVO

 

 

Fátima Bernardes abre um sorriso para anunciar o lucro recorde da Petrobrás: R$ 23,7 bilhões em 2005, alta de 40% em relação ao ano anterior. Convertendo em dólares são US$ 10,1 bilhões, o maior faturamento de uma empresa de capital aberto na América Latina em todos os tempos. Que coisa boa, né? Podemos nos orgulhar.

Balela, perto de 100% do faturamento da Petrobrás ocorre no Brasil. A tão aclamada auto-suficiência significa que a nossa estatal está amealhando bilhões em cima do povo brasileiro, que atualmente paga um dos combustíveis mais caros do planeta. Na relação renda/litro da gasolina, somos uma população explorada por uma combinação entre impostos obscenos de um lado e o alto lucro da petrolífera de outro. E parte dessa bufunfa já está sendo utilizada sem o menor pudor na campanha da reeleição.

E vem mais. Novo sorriso largo da apresentadora para o lucro do Bradesco, o maior banco privado do país. Mais de R$ 5 bilhões, praticamente o dobro do registrado em 2004. E no rastro do Bradesco seguem o Banco do Brasil, Itaú e Caixa Econômica Federal, entre outros, todos com lucros recordes, acima da média mundial.

E onde operam esses bancos? No Brasil. Quem banca o lucro? O brasileiro, obviamente, que rala feito um condenado para entregar o pagamento do seu suor a instituições financeiras que cobram taxas e juros extorsivos, oferecendo em troca um serviço medíocre. Assim é fácil ganhar dinheiro.

O mesmo vale para as empresas de telefonia, que devem anunciar lucros tão ou mais maravilhosos, sempre em cima do sacrifício de uma população escorchada por impostos. Vale lembrar que as telefônicas são campeãs absolutas de reclamação nos órgãos de defesa do consumidor.

Por trás de notícias aparentemente boas, há implicações ofuscadas pela mídia. Isso porque temos uma imprensa dependente, ou melhor, refém da publicidade oficial, aquela bancada pelo governo. Folheie jornais e revistas, repare nos comerciais de rádio e TV e verá a força da propaganda do governo no faturamento dos veículos de comunicação. Não espere bordoadas contra estatais do porte da Petrobrás, Banco do Brasil e Caixa Econômica.

Diferentemente da mídia dos países ricos, bancada principalmente com recursos da iniciativa privada, em países autocráticos e subdesenvolvidos quem dá as cartas é a publicidade estatal. O sorriso da Fátima Bernardes está garantido.

Os Bancos
Há quem defenda que os bancos brasileiros seriam um dos mais evoluídos tecnologicamente do mundo. Talvez, mas infelizmente essas instituições estão no país errado. Afinal, de que adianta tecnologia se você não pode sacar depois das 22h? Além disso, os bancos transferiram a insegurança para o cliente.

Todos os caixas eletrônicos ficam fora da agência. O cliente nem passa da porta-giratória para sacar. Assim, os assaltos às agências despencaram. Por outro lado, os seqüestros relâmpagos vivem dias de prosperidade. O cliente que se vire. Grande modernidade.

 

         

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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