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Fátima Bernardes
abre um sorriso para anunciar o lucro recorde da Petrobrás: R$ 23,7
bilhões em 2005, alta de 40% em relação ao ano anterior. Convertendo
em dólares são US$ 10,1 bilhões, o maior faturamento de uma empresa
de capital aberto na América Latina em todos os tempos. Que coisa
boa, né? Podemos nos orgulhar.
Balela, perto de
100% do faturamento da Petrobrás ocorre no Brasil. A tão aclamada
auto-suficiência significa que a nossa estatal está amealhando
bilhões em cima do povo brasileiro, que atualmente paga um dos
combustíveis mais caros do planeta. Na relação renda/litro da
gasolina, somos uma população explorada por uma combinação entre
impostos obscenos de um lado e o alto lucro da petrolífera de outro.
E parte dessa bufunfa já está sendo utilizada sem o menor pudor na
campanha da reeleição.
E vem mais. Novo
sorriso largo da apresentadora para o lucro do Bradesco, o maior
banco privado do país. Mais de R$ 5 bilhões, praticamente o dobro do
registrado em 2004. E no rastro do Bradesco seguem o Banco do
Brasil, Itaú e Caixa Econômica Federal, entre outros, todos com
lucros recordes, acima da média mundial.
E onde operam esses
bancos? No Brasil. Quem banca o lucro? O brasileiro, obviamente, que
rala feito um condenado para entregar o pagamento do seu suor a
instituições financeiras que cobram taxas e juros extorsivos,
oferecendo em troca um serviço medíocre. Assim é fácil ganhar
dinheiro.
O mesmo vale para
as empresas de telefonia, que devem anunciar lucros tão ou mais
maravilhosos, sempre em cima do sacrifício de uma população
escorchada por impostos. Vale lembrar que as telefônicas são campeãs
absolutas de reclamação nos órgãos de defesa do consumidor.
Por trás de
notícias aparentemente boas, há implicações ofuscadas pela mídia.
Isso porque temos uma imprensa dependente, ou melhor, refém da
publicidade oficial, aquela bancada pelo governo. Folheie jornais e
revistas, repare nos comerciais de rádio e TV e verá a força da
propaganda do governo no faturamento dos veículos de comunicação.
Não espere bordoadas contra estatais do porte da Petrobrás, Banco do
Brasil e Caixa Econômica.
Diferentemente da
mídia dos países ricos, bancada principalmente com recursos da
iniciativa privada, em países autocráticos e subdesenvolvidos quem
dá as cartas é a publicidade estatal. O sorriso da Fátima Bernardes
está garantido.
Os Bancos
Há quem defenda que os bancos brasileiros seriam um dos mais
evoluídos tecnologicamente do mundo. Talvez, mas infelizmente essas
instituições estão no país errado. Afinal, de que adianta tecnologia
se você não pode sacar depois das 22h? Além disso, os bancos
transferiram a insegurança para o cliente.
Todos os caixas
eletrônicos ficam fora da agência. O cliente nem passa da
porta-giratória para sacar. Assim, os assaltos às agências
despencaram. Por outro lado, os seqüestros relâmpagos vivem dias de
prosperidade. O cliente que se vire. Grande modernidade. |