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25/04/2006 - Luiz Leitão

Eles não têm jeito

 

 

Mal escapou à cassação de seu mandato, o honrado deputado José Mentor já se envolve – ou é envolvido – em outra confusão; desta vez bem mais substanciosa, o dobro dos 120 mil, digamos aí, num arredondamento camarada. José Mentor (PT-SP) teria recebido R$ 300.000 para tirar o nome do doleiro Richard Andrew de Mol Van Otterloo do relatório final da CPMI do Banestado. Mentor foi o relator dessa CPI, que não concluiu, logo, (nosso) dinheiro jogado no lixo, certo?

Aí deve passar pela cabeça da leitora, como passa pela minha, que se houve um acobertamento, até barato, pelos padrões, pela tabela de preços vigente no mercado da corrupção, há de ter havido vários outros, incontáveis, dada a enormidade de valores envolvidos nesta momentosa CPI : US$ 150 bilhões (bilhões, repito).

E por que as coisas são assim; acaso nós, brasileiros somos coniventes? Não! Preguiçosos ou desorientados, talvez.

Todos sabemos que suas excelências praticamente só legislam em causa própria ou de terceiros. Mas isto quer dizer que somos seus reféns?

O que precisamos fazer para que um deputado, senador, vereador, qualquer brasileiro detentor de poder político sofra as conseqüências de seus malfeitos, como ocorreu com o ex-deputado americano Randy Cunninhgaham, acusado e condenado a oito anos e quatro meses de prisão pelo crime de recebimento de propinas no valor de 2,4 milhões ao longo  que quinze longos anos. Aliás, vai ter de pagar imposto de renda pelos “proventos” recebidos.

Saiu da Corte diretamente para a prisão, tendo-lhe sido negado o pedido de ver sua mãe de 91 anos. Randy sofre de câncer na próstata, mas lá não é o Brasil, onde um apiedado ministro do STF mandou soltar Paulo Maluf, que “estava doente” – e logo depois foi visto tomando cerveja em Campos de Jordão-SP.

Lá nos EUA as leis são cumpridas,  não há espaço para Mentores, Malufs, Quércias e tantos outros que enojam a nossa política. Lá impera a lei, com suas imperfeições, as pessoas podem portar armas, mas se matarem sem ser em legítima defesa, é pena de morte, sem conversa, a depender da unidade da federação. Ou isto, a prisão perpétua.

E por que estes picaretas que dizem nos representar não vão presos? Por que pagam advogados milionários, influentes – isto não funciona nos EUA – e porque fazem as leis à sua imagem e semelhança.

Quão difícil é mudar este estado de coisas? Refundar o Estado? Exigir, como disse o ministro do STF, que se acabe com o foro privilegiado, bem como com a imunidade parlamentar, ao menos para crimes ditos “comuns”.

Os três poderes estão podres, exalam o mau cheiro da corrupção, do acobertamento e da conivência. Há dois Brasis: o dos poderosos e o dos eleitores, que ironicamente lhes conferem o poder do qual abusam ser qualquer cerimônia.

Não queremos um Brasil Orwelliano (referência ao livro A Revolução dos Bichos, de George Orwell, onde o autor chega à conclusão de que todos são iguais, porém, uns são mais “iguais” que os outros). Nos EUA até pode ser um pouco assim, mas não neste nível.

O ponto ao qual chegamos parece de não-retorno, mas isto não existe, sempre há um caminho de volta, basta girar 180 graus e retorna-se ao ponto que se desejar.

Donde a leitora cogitará: qual é forma mágica deste cara? União, talvez. Repúdio, Inconformismo, adesivos nos carros, marchas, como em Paris, onde o governo voltou atrás.

Parlamentares precisam aprender, nem que seja a ferro e fogo, que trabalha, quando o fazem, em benefício de todos, não podem advogar para si, seus parentes, doadores de campanha e amigos.

Talvez eu esteja até exagerando aqui em relação aos EUA, mas que as coisas são bem mais duras por lá, isto são. No dia em que um poderoso político for em cana por 8 anos, poderemos dizer que o país mudou.

 

Luiz Leitão

Articulista e doador há dez anos.

 

         

 

 
 
 
 
 

 

 
 
 
 

 

 

 

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