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Notícias

   
18/04/2006 - Luiz Leitão

George Bush ajusta a mira

 

 

Quando Bush, escudado em mentiras, resolveu atacar o Iraque, seus geniais assessores militares diziam que a inserção seria “cirúrgica”, rápida e com poucas baixas. Com mais de dois mil soldados mortos e cerca de 17 mil feridos, só do lado americano, percebe-se que o presidente americano, se é que realmente acreditava no que lhe diziam – pois sua intenção era remover Saddam a qualquer preço -, estava cercado de incompetentes, ele mesmo o maior deles.

 

Quando se comemorou a “democracia” tão generosamente promovida por George no Iraque, muita gente se iludiu, e não se pode realmente considerar uma democracia uma terra onde morrem cerca de 50 pessoas por dia, sendo deste total duas vítimas são americanos.

 

Bem antes da “redemocratização” iraquiana, George Bush já começava a falar sobre o Irã, não mais pela voz de Colin Powell, mas de Condoleeza. Bem cedo, o presidente americano já planejava sua nova sandice, um ataque ao Irã, onde o novo radical presidente Mahmud Ahmadinejad, que fala em riscar Israel do mapa, sequer era candidato ao cargo que ora ocupa.

 

Pois agora que declaram abertamente  terem condições de enriquecer urânio (aumentar o porcentual de U-235 para cerca de 90%) a ponto de fazer ao menos uma bomba, ainda que em médio prazo, crescem os riscos de um conflito muito pior que a interminável intervenção no Iraque. Porque o Irã é maior, muito mais populoso e bem armado que seu vizinho. Já deve ter prontos seus mísseis Shahab 4 (Meteoro), com alcance de 2,896 km,  e o  Shahab 6, que deverá ter um alcance de, quem sabe, 6.200m, o suficiente para atingir, com folga, a Europa, tudo com tecnologia russa e norte-coreana. Uma força aérea com cerca de 250 caças. Impressiona? Nem tanto, quando se conhece o poderio bélico anglo-americano.

 

Não é aí que reside a maior e mais aterrorizante ameaça.

O país islâmico está recrutando homens, mulheres e crianças-bomba, não importa a idade, e 55 mil já aderiram e... Boa parte reside em países europeus. Imagine a leitora (o) o caos de um, dois ou mais homens-bomba se explodirem dentro de um shopping center em Frankfurt. Ou numa rua movimentada em Paris. Afinal, são cidadãos daqueles países, mas  deixaram seus corações em Teerã.

 

Óbvio que esta bravata de riscar Israel do mapa é um arroubo retórico, bem ao gosto da platéia, até porque os israelenses já têm a bomba e uma força aérea altamente eficaz.

 

Rússia a China não interviriam, nem militar, nem diplomaticamente, pois não estão preocupados com eventuais artefatos atômicos do Irã, e sim com seu petróleo.

 

Em que pese o fato de Bush ter obrigação constitucional de pedir autorização do congresso para lançar uma ofensiva, contra o Irã, os  membros do partido democrata têm comentado que tropas  americanas já estão conduzindo operações militares naquele país. E que se isto for verdade, Bush lançará um ataque unilateral, sem a devida autorização congressual e sem o apoio da ONU. Mesmo a Inglaterra é contra o uso da força (ao menos por ora, ou por mera retórica).

 

 

Enxergam a morte com uma naturalidade estarrecedora, especialmente se ela ocorrer numa ação de martírio, virar shahids (mártires) é a glória suprema para estes cidadãos que são e aparentam ser tão normais, gente que ama a vida, tanto quanto a morte.

 

O que temos então? Um louco como Bush é capaz de desprezar todas estas variáveis e reprisar em tons incomparavelmente mais fortes a tragédia do Iraque, atacando o Irã com aquela precisão cirúrgica de seus geniais engenheiros bélicos.

 

Mesmo Bush desobedecendo ao Congresso, tal ação não causaria seu impeachment, ao menos lá nos EUA, mas seria o caso de a humanidade em peso exigir sua saída.

 

Os EUA, tão zelosos pela segurança mundial são o único país que usou justamente a bomba atômica – que acham que outros não têm juízo para ter – para destruir duas cidades inteiras. Nenhum dos piores tiranos da História foi capaz de tanto.

 

Sinceramente, Bush causa mais medo que o presidente iraniano.

 

E o mundo, mais uma vez, à beira de um conflito baseado na energia, seja ela atômica ou química (petróleo).

 

Luiz Leitão

Articulista político, Brasil

luizleitao@ebb.com.br

 

         

 
 
 
 
 

 

 
 
 
 

 

 

 

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