Quando Bush, escudado em mentiras,
resolveu atacar o Iraque, seus geniais
assessores militares
diziam que a inserção seria “cirúrgica”, rápida e com poucas
baixas. Com mais de dois mil soldados mortos e cerca de 17 mil
feridos, só do lado americano, percebe-se que o presidente
americano, se é que realmente acreditava no que lhe diziam –
pois sua intenção era remover Saddam a qualquer preço -, estava
cercado de incompetentes, ele mesmo o maior deles.
Quando se comemorou a “democracia”
tão generosamente promovida por George no Iraque, muita gente se
iludiu, e não se pode realmente considerar uma democracia uma
terra onde morrem cerca de 50 pessoas por dia, sendo deste total
duas vítimas são americanos.
Bem antes da “redemocratização”
iraquiana, George Bush já começava a falar sobre o Irã, não mais
pela voz de Colin Powell, mas de Condoleeza. Bem cedo, o
presidente americano já planejava sua nova sandice, um ataque ao
Irã, onde o novo radical presidente Mahmud Ahmadinejad, que fala
em riscar Israel do mapa, sequer era candidato ao cargo que ora
ocupa.
Pois agora que declaram
abertamente terem condições de enriquecer urânio (aumentar o
porcentual de U-235 para cerca de 90%) a ponto de fazer ao menos
uma bomba, ainda que em médio prazo, crescem os riscos de um
conflito muito pior que a interminável intervenção no Iraque.
Porque o Irã é maior, muito mais populoso e bem armado que seu
vizinho. Já deve ter prontos seus mísseis Shahab 4 (Meteoro),
com alcance de 2,896 km, e o Shahab 6, que deverá ter um
alcance de, quem sabe, 6.200m, o suficiente para atingir, com
folga, a Europa, tudo com tecnologia russa e norte-coreana. Uma
força aérea com cerca de 250 caças. Impressiona? Nem tanto,
quando se conhece o poderio bélico anglo-americano.
Não é aí que reside a maior e mais
aterrorizante ameaça.
O país islâmico está recrutando
homens, mulheres e crianças-bomba, não importa a idade, e 55 mil
já aderiram e... Boa parte reside em países europeus. Imagine a
leitora (o) o caos de um, dois ou mais homens-bomba se
explodirem dentro de um shopping center em Frankfurt. Ou numa
rua movimentada em Paris. Afinal, são cidadãos daqueles países,
mas deixaram seus corações em Teerã.
Óbvio que esta bravata de riscar
Israel do mapa é um arroubo retórico, bem ao gosto da platéia,
até porque os israelenses já têm a bomba e uma força aérea
altamente eficaz.
Rússia a China não interviriam,
nem militar, nem diplomaticamente, pois não estão preocupados
com eventuais artefatos atômicos do Irã, e sim com seu petróleo.
Em que pese o fato de Bush ter
obrigação constitucional de pedir autorização do congresso para
lançar uma ofensiva, contra o Irã, os membros do partido
democrata têm comentado que tropas americanas já estão
conduzindo operações militares naquele país. E que se isto for
verdade, Bush lançará um ataque unilateral, sem a devida
autorização congressual e sem o apoio da ONU. Mesmo a Inglaterra
é contra o uso da força (ao menos por ora, ou por mera
retórica).
Enxergam a morte com uma
naturalidade estarrecedora, especialmente se ela ocorrer numa
ação de martírio, virar shahids (mártires) é a glória suprema
para estes cidadãos que são e aparentam ser tão normais, gente
que ama a vida, tanto quanto a morte.
O que temos então? Um louco como
Bush é capaz de desprezar todas estas variáveis e reprisar em
tons incomparavelmente mais fortes a tragédia do Iraque,
atacando o Irã com aquela precisão cirúrgica de seus geniais
engenheiros bélicos.
Mesmo Bush desobedecendo ao
Congresso, tal ação não causaria seu impeachment, ao menos lá
nos EUA, mas seria o caso de a humanidade em peso exigir sua
saída.
Os EUA, tão zelosos pela segurança
mundial são o único país que usou justamente a bomba atômica –
que acham que outros não têm juízo para ter – para destruir duas
cidades inteiras. Nenhum dos piores tiranos da História foi
capaz de tanto.
Sinceramente, Bush causa mais medo
que o presidente iraniano.
E o mundo, mais uma vez, à beira
de um conflito baseado na energia, seja ela atômica ou química
(petróleo).
Luiz Leitão
Articulista político, Brasil
luizleitao@ebb.com.br