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19/05/2005 - Brasileiros ficarão livres de impostos a partir deste sábado 20/05/2005

                                                               
 

 

 

Da redação - Sitepopular

 

Márcia Rodrigues

À meia noite de amanhã 20/05, o contribuinte brasileiro pode respirar aliviado. Foram 140 dias do ano – quatro meses e 20 dias – que ele trabalhou somente para pagar impostos federais, estaduais e municipais. São dois dias a mais em relação a 2004, de acordo com estudo divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Este ano, 38,35% do rendimento bruto anual do trabalhador está sendo usado para pagar a tributação sobre seu salário, consumo e patrimônio, um crescimento de 0,54 ponto percentual em comparação ao ano passado, quando os impostos abocanharam 37,81%.

Segundo o presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, hoje o contribuinte trabalha o dobro em relação à década de 70 para pagar tributos. "O número de dias trabalhados para honrar os impostos vem crescendo muito de uma década para a outra. O que mostra que o governo não está cumprindo sua promessa de não aumentar a tributação", diz. Na década de 70, era preciso trabalhar, em média, 76 dias para pagar tributos. Este número saltou para 80 nos anos 80 e para 102 na década de 90.

O levantamento também apontou que o cidadão de classe média trabalhou, em 2004, cerca de 243 dias para o fisco. Já em 2005, serão 252 dias. Assim, só começará a trabalhar para comer, se vestir, morar, adquirir bens, gozar férias e fazer alguma poupança somente no dia 10 de setembro.

Para Amaral, o crescimento da carga tributária em relação ao ano anterior se deve às mudanças na Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), cuja alíquota passou de 3% para 7,6% no ano passado, com a introdução do sistema não-cumulativo. O aumento da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) também contribuíram para a alteração do índice.

A tributação incidente sobre os rendimentos é formada principalmente pelo Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), pela contribuição previdenciária e pelas contribuições sindicais. Além disso, o cidadão arca com uma alta tributação sobre o consumo – já inclusa no preço dos produtos e serviços –, que engloba tributos como Programa de Integração Social (PIS), Cofins, ICMS, Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), Imposto sobre Serviços (ISS). E também a tributação sobre o patrimônio: Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de quaisquer Bens ou Direitos (ITCMD), Imposto sobre transmissão de bens imóveis (ITBI) e Imposto sobre Propriedade Territorial Rural (ITR). Além disso, também desembolsa dinheiro para pagar com outras obrigações fiscais, como taxas de limpeza pública, de coleta de lixo, de emissão de documentos e de iluminação.

Outra prova de crescimento da carga tributária é o aumento progressivo da arrecadação do governo nas três esferas. O IBPT estima que entre os dias 2 e 3 de junho o Impostômetro (Sistema Permanente de Acompanhamento das Receitas Tributárias), instalado na sede da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), atinja a marca dos R$ 300 bilhões arrecadados.

Apesar da "dívida com o fisco" se encerrar amanhã, a "escravidão" do contribuinte não termina neste mês. "A deficiência evidente da prestação de serviços públicos vem fazendo com que a população comprometa cada vez mais o orçamento familiar com gastos para garantir sua saúde, educação e segurança. Serviços que deveriam obrigatoriamente ser oferecidos com eficiência pelo governo", diz o presidente do IBPT.

 

 
 

 

 Fonte:  Sitepopular / D.Comércio

 

Os assuntos assinados são de responsabilidade dos  autores

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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