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16/03/2005 - O novo ataque: Leão da previdência

                                                               
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Da redação - sitepopular

 

Para receber dívidas e aumentar a arrecadação e reduzir o rombo do INSS, governo fecha o cerco às empresas

 

 

O governo já definiu os detalhes para soltar nas ruas um novo Leão. Até o final da semana, o presidente Lula deve anunciar um pacote de medidas para dar dentes à recém-criada Secretaria de Receita Previdenciária, responsável por cobrir o déficit de arrecadação da Previdência. Irmão gêmeo da Secretaria de Receita Federal – e sob o comando do auditor fiscal José Roberto Pimentel – o Leão da Previdência vai, logo de cara, soltar as garras sobre os sonegadores, promovendo um arrastão judiciário para recuperar metade dos R$ 185 bilhões em dívidas do INSS. Nas medidas a serem anunciadas pelo presidente Lula, as quais a DINHEIRO teve acesso com exclusividade, estão também a criação de um corregedoria autônoma (para impedir fraudes) e de um serviço de inteligência da Previdência nos estados, nos moldes do serviço de inteligência da Receita. O foco da fiscalização ficará nas 300 grandes empresas em débito, responsáveis por 40% da dívida ativa. Mas a ação que promete afetar mais de perto as 350 mil empresas com dívida no INSS é o arresto de bens: o novo Leão anunciou que vai morder 1% da receita das devedoras, direto das suas contas bancárias. “É o início de uma grande modernização do sistema previdenciário”, resumiu o ministro da Previdência, Amir Lando.

Há sete anos o governo tem problemas para fechar suas contas por causa do déficit da Previdência. A estimativa é que esse ano ela produza um rombo de US$ 40 bilhões. A idéia é evitar esse desastre recuperando R$ 4,3 bilhões em dívidas e arrecadando R$ 2 bilhões no combate à inadimplência. Na semana passada, os mais otimistas falavam em conseguir R$ 15 bilhões pressionando os fraudadores. ‘‘Vamos conter o crescimento do déficit para começar a reduzi-lo em 2006”, promete Pimentel. O total de sonegação previdenciária ultrapassa R$ 4,3 bilhões por ano, ou 3,5% do total arrecado pelo INSS. “Isso ocorre porque a carga tributária é enorme e o risco de ser punido é pequeno”, resume Celso Três, procurador da República engajado na força-tarefa da Previdência. O pacote de medidas do novo Leão aperta o cerco também sobre os fiscais corruptos. A corregedoria da Receita Previdenciária vai atuar para que fiquem no passado casos como o da empresária Jorgina de Freitas – autora de fraudes no valor de R$ 112 milhões.

Pimentel, o primeiro xerife previdenciário, é um discreto funcionário do INSS desde 1997. Tem 36 anos, trabalha em silêncio e sua missão é aumentar a arrecadação de R$ 100 bilhões anuais da Previdência. Um dos seus primeiros desafios será colocar em operação o supercomputador IBM Regata, parado no Ministério desde o ano passado. O equipamento vai integrar o cadastro do INSS com outros órgãos de fiscalização, permitindo, calcular a diferença entre valores pagos e os declarados pelas empresas. Esse computador permitirá notificar as companhias dois dias depois de qualquer atraso de pagamento. A empresa terá, então, 30 dias para pagar, sob o risco de ser levada à cobrança judicial ou perder privilégios de parcelamento da dívida. O objetivo da mudança é colocar a Previdência na lista de prioridades dos empresários. Até hoje eles se preocupavam apenas com o Leão da Receita. Agora, se depender do governo, terão outro Leão com que se preocupar.

DECÁLOGO DO ARROCHO
Medidas para tapar o rombo da Previdência
1 - Penhora de parte do faturamento das empresas com dívidas no INSS

2 - Cruzamento permanente de dados cadastrais na Receita, BC, CVM e Correios

3 - Criação de serviço de inteligência para espionar agências do INSS

4 - Implantação de novos computadores com gestão independente das antigas redes do INSS

5 - Instalação de softwares com inteligência artificial para monitorar velhos bancos de dados

6 - Estabelecimento de corregedoria para julgar funcionários da Previdência com rapidez

7- Realização de arrastões judiciários para acelerar os processos e cobrar a dívida ativa de R$ 185 bilhões

8 - Montagem de forças tarefas de fiscalização com a Procuradoria Geral da República e a Polícia Federal

9 - Meta de aumento de arrecadação da Previdência Social entre 6% e 8% até o final do ano

10 - Adoção de um calendário de cobrança com notificação ao devedor e carta de cobrança

             

 

Fonte:  Isto é dinheiro

 

Os assuntos assinados são de responsabilidade dos  autor

 

 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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