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20-02-2004

Irregularidades
Bancário some e empobrece Jussiape

Contas foram zeradas no Banco do Brasil; prefeito diz que a cidade está falida, clientes temem por suas economias

Jeremias Macário

JUSSIAPE (DA SUCURSAL SUDOESTE) –
Moradores de Jussiape, Chapada Diamantina, a 750 quilômetros de Salvador, estão em pânico e prometem parar a cidade, numa manifestação a partir das 8 horas de hoje, em frente do posto do Banco do Brasil, contra o golpe estimado de R$ 10 milhões, aplicado pelo funcionário José Gilson que teria subtraído e zerado poupanças e outras aplicações de cerca de mil clientes.
  A cidade de 3.500 habitantes – o município tem 10 mil – está praticamente falida, segundo o prefeito Adailton Silva Luz Sobrinho e o presidente da Câmara Municipal, Sílvio Luz Souza. Tudo começou há dez dias quando os poupadores descobriram que suas contas estavam zeradas e o chefe do posto, José Gilson havia sumido sem explicações.
  Os clientes foram logo à gerência do BB em Rio de Contas, distante uns 30 km de Jussiape, onde, para surpresa deles, ninguém soube informar o que havia acontecido, apenas alegaram que “iam apurar”. A notícia correu, e muita gente entrou em pânico ao descobrir que havia perdido economias de toda a vida. A maior revolta da população, segundo o presidente da Câmara, “é que a gerência do BB de Rio de Contas não se abalou para ir até Jussiape averiguar o que ocorrera e dar uma satisfação”.

DINHEIRO SUMIU – Sílvio Luz contou que o funcionário do BB aconselhou os clientes a tirarem os recursos da poupança e aplicar em renda fixa, oferecendo uma taxa mensal de até 4%. Atraídos pela perspectiva de maior rendimento, muitos aceitaram, outros preferiram manter a poupança. Ocorre que, mesmo sem consentimento, o funcionário mudou as aplicações, quebrando o sigilo bancário do cliente, inclusive de contas correntes”, disse.
  “Como se não bastassem as irregularidades, o dinheiro sumiu das contas - garante o presidente da Câmara,- acrescentando que a comunidade está aflita e a cidade quase falida porque os depositantes ficaram sem dinheiro para movimentar o comércio. O prefeito Adailton Luz Sobrinho disse que o gerente, Magno, do BB em Rio de Contas, pediu que “as pessoas fossem à agência e informassem o que havia acontecido, e que cada caso será analisado”.
  O prefeito considera que “no momento, está em jogo a instituição, nem tanto a pessoa do funcionário. As economias do município estão exauridas e já tem gente retirando a poupança que restou em suas contas”. E enfatizou que “a maioria perdeu tudo, outros tiveram sorte e o funcionário deixou uma pequena parte da aplicação em suas contas”.
  O vereador Nadir Freitas Barbosa é uma das vítimas, e perdeu pouco mais de R$300 mil que havia aplicado em renda fixa. Ele disse que conferiu esse valor em novembro último, na agência 2540-2, recibo número 820701, da aplicação em renda fixa. “Para minha surpresa e espanto, há dez dias descobri que minha conta estava zerada”. Ele é cliente do BB desde 1998.
 
 

 

Fonte: A Tarde                            

 

Os assuntos assinados são de responsabilidade dos  autores.

 

     

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