Irregularidades
Bancário some e
empobrece Jussiape
Contas foram zeradas no Banco do
Brasil; prefeito diz que a cidade está
falida, clientes temem por suas
economias
Jeremias Macário
JUSSIAPE (DA SUCURSAL SUDOESTE) –Moradores
de Jussiape, Chapada Diamantina, a 750
quilômetros de Salvador, estão em pânico
e prometem parar a cidade, numa
manifestação a partir das 8 horas de
hoje, em frente do posto do Banco do
Brasil, contra o golpe estimado de R$ 10
milhões, aplicado pelo funcionário José
Gilson que teria subtraído e zerado
poupanças e outras aplicações de cerca
de mil clientes.
A cidade de 3.500 habitantes – o
município tem 10 mil – está praticamente
falida, segundo o prefeito Adailton
Silva Luz Sobrinho e o presidente da
Câmara Municipal, Sílvio Luz Souza. Tudo
começou há dez dias quando os poupadores
descobriram que suas contas estavam
zeradas e o chefe do posto, José
Gilson havia sumido sem explicações.
Os clientes foram logo à gerência do
BB em Rio de Contas, distante uns 30 km
de Jussiape, onde, para surpresa deles,
ninguém soube informar o que havia
acontecido, apenas alegaram que “iam
apurar”. A notícia correu, e muita gente
entrou em pânico ao descobrir que havia
perdido economias de toda a vida. A
maior revolta da população, segundo o
presidente da Câmara, “é que a gerência
do BB de Rio de Contas não se abalou
para ir até Jussiape averiguar o que
ocorrera e dar uma satisfação”.
DINHEIRO SUMIU – Sílvio Luz contou que o
funcionário do BB aconselhou os clientes
a tirarem os recursos da poupança e
aplicar em renda fixa, oferecendo uma
taxa mensal de até 4%. Atraídos pela
perspectiva de maior rendimento, muitos
aceitaram, outros preferiram manter a
poupança. Ocorre que, mesmo sem
consentimento, o funcionário mudou as
aplicações, quebrando o sigilo bancário
do cliente, inclusive de contas
correntes”, disse.
“Como se não bastassem as
irregularidades, o dinheiro sumiu das
contas - garante o presidente da
Câmara,- acrescentando que a comunidade
está aflita e a cidade quase falida
porque os depositantes ficaram sem
dinheiro para movimentar o comércio. O
prefeito Adailton Luz Sobrinho disse que
o gerente, Magno, do BB em Rio de
Contas, pediu que “as pessoas fossem à
agência e informassem o que havia
acontecido, e que cada caso será
analisado”.
O prefeito considera que “no momento,
está em jogo a instituição, nem tanto a
pessoa do funcionário. As economias do
município estão exauridas e já tem gente
retirando a poupança que restou em suas
contas”. E enfatizou que “a maioria
perdeu tudo, outros tiveram sorte e o
funcionário deixou uma pequena parte da
aplicação em suas contas”.
O vereador Nadir Freitas Barbosa é uma
das vítimas, e perdeu pouco mais de
R$300 mil que havia aplicado em renda
fixa. Ele disse que conferiu esse valor
em novembro último, na agência 2540-2,
recibo número 820701, da aplicação em
renda fixa. “Para minha surpresa e
espanto, há dez dias descobri que minha
conta estava zerada”. Ele é cliente do
BB desde 1998.
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