O
deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) –aquele que,
depois de experimentar da verba, decidiu abrir o
verbo—,continua com a língua solta. Gostou da denúncia do
Ministério Público contra a “quadrilha” dos 40 do mensalão,
ele incluído. Mas acha que ficaram de fora os “tubarões”.
Menciona explicitamente o ex-ministro Ciro Gomes (Integração
Nacional).
Segundo
Jefferson, Ciro teve parte das despesas de sua campanha
presidencial de 2002 liquidadas com recursos (R$ 500 mil)
provenientes do valerioduto. Também os doadores do caixa
dois estão sendo poupados, acusa Jefferson. O ex-deputado
falou à Agência Nordeste (para assinantes). Eis os
principais trechos:
- A
denúncia do Ministério Público:
“O
relatório da Procurador-geral da República retrata 80%
daquilo que foi denunciado por mim e apurado pela CPI dos
Correios.”
- Não
falta Lula?
“O povo
está dizendo isso. Eu tenho lido muitas cartas dos leitores
aos jornais e sempre a figura que aparece como Ali Babá é a
do presidente Lula. Já o José Dirceu é o chefe direto da
quadrilha e do bando. Ele é chamado pelo procurador de chefe
da quadrilha e bando. É assim mesmo, o que diz o Código
Penal.”
–
Impeachment:
“Eu
penso que o impeachment perdeu o seu momento político. Ele
pode pedir o impeachment de maneira judicial, ainda, mas
seria mais lento. O momento certo, a meu ver, para o
impeachment, foi durante a confissão do publicitário Duda
Mendonça, que disse, aos olhos atônicos do País, que
recebera todas as contas da campanha do presidente Lula e
dos senadores e deputados do PT em paraíso fiscal fora do
Brasil (...). Ali era a hora do impeachment (...). Mas todo
mundo quis preservar o Lula (...).”
– A
oposição foi incompetente?
“Foi
incompetente ou julgou mal o episódio político. Não querendo
uma luta aberta, mas radicalizada com o presidente Lula e o
PT, a oposição esperou que ele sangrasse (...). Mas parece
que ele está tendo um público muito forte lhe sustentando,
de acordo com os resultados das pesquisas.”
- A
blindagem do presidente:
“Não
consigo compreender (...) que ele se mantenha ainda em forma
e distante do desgaste pela opinião pública e de um processo
de responsabilidade criminal (...). O eleitorado,
principalmente as classes mais baixas, tem uma visão de que
todo político é ladrão (...). E agora o raciocínio é
inteiramente pragmático: um dos nossos, um operário está
sendo acusado de corrupção. Nos outros governos sempre houve
isso. Por que vão jogar o nosso no chão agora? É um
raciocínio simples, mas é que vem prevalecendo nas camadas
mais humildes.”
– A
pizza do mensalão:
“O
Congresso Nacional não julgou o crime de responsabilidade
dos ministros. O Ciro Gomes tirou R$ 500 mil e foi o senhor
Márcio Lacerda, seu então secretário executivo, que foi ao
Banco Rural e assinou a retirada, e não houve nada contra
ele. Não recebeu processo de improbidade administrativa e
ficou por isso. Ele apenas demitiu o seu secretário
executivo, o Márcio, que foi o seu tesoureiro na campanha
presidencial. Essas coisas foram descobertas pela Polícia
Federal, pela CPI e o Ciro ficou de fora. Ou seja, deixaram
os tubarões de fora. Me admira a pressão para cassar o
(Professor) Luizinho (PT-SP) com R$ 20 mil e o José Mentor
(PT-SP) com R$ 120 mil, se os ministros levaram 25 vezes
mais, 10 vezes mais, que esses que estão sendo acusados. Que
há uma pizza há, mas nós já esperávamos isso desde o
início.”
- Os
doadores de campanha: “(...) Mais uma vez, se preservou
a identidade dos doadores do caixa dois. Eles continuam
encobertos (...). Os homens que fizeram o caixa dois, que
depositaram na caixa do Delúbio, do Marcos Valério,
continuam no anonimato e eu tenho a preocupação de que eles
possam fazer caixa dois de novo nas eleições que se
avizinham e um outro mensalão, se for (eleito) o Lula,
porque ele vai ter muita dificuldade para governar e só
fazendo outro mensalão para construir uma base parlamentar.”