Superfaturamento de bandas passa dos 280%
no carnaval antecipado de Itabuna,
segundo empresários de shows que tiveram acesso aos valores
supostamente gastos pela Prefeitura de Itabuna na festa.
Documentos do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM)
foram comparados com os custos das atrações das micaretas de
Vitória da Conquista e Feira de Santana e são provas
suficientes para a criação de uma Comissão Especial de
Inquérito em Itabuna.
De acordo com o secretário de Cultura, Turismo,
Esporte e Lazer, Gildelson Felício de Jesus, a folia em
Conquista vai custar no máximo R$ 500 mil aos cofres
públicos.
Isso com estrutura bem superior à montada em Itabuna e
atrações como Jammil, Chiclete com Banana, Vixe Mainha e
Ivete Sangalo, os cachês mais caros da atualidade.
Em Feira de Santana, que estará em festa até domingo,
23, a folia não custará mais que R$ 600 mil. Vixe Mainha,
Jammil, Babado Novo, Margareth Menezes, Chiclete, Rapazolla,
Asa de Águia, Ivete Sangalo, Harmonia do Samba e Timbalada
estão entre as atrações.
Em Itabuna, segundo a prefeitura, o carnaval
antecipado custou R$ 1,5 milhão com atrações como É Tchan,
Rian e Riande, Juninho Porradão, Viviane Trípodi, bandas
Lume, Tribazum e Cocada Puxa. De grandes atrações só Olodum,
Araketu e Vixe Mainha.
Muito acima
Os valores pagos a determinadas atrações são provas
claras de superfaturamento. Com artistas que custam em média
R$ 2 mil, a Prefeitura de Itabuna diz que gastou até R$
7.500. É o caso de Tribazum e Rian & Riande.
Um caso escandaloso é o da cantora Viviane Trípodi,
que teria recebido R$ 23 mil. Segundo promotores de eventos
ouvidos pela reportagem de A Região, o show da cantora não
custa mais que R$ 6 mil, ou seja, 283% menos que o valor
supostamente pago.
Eles afirmam que a apresentação da dupla Rian & Riande,
que levou R$ 7 mil, não vale mais que R$2 mil, uma diferença
de 250%.
Os empresários também não tiveram qualquer dúvida em
afirmar que Juninho Porradão, Urubu Fogoso e É Tchan foram
contratados por valores muito acima do real.
O cachê de Porradão teria sido de R$ 12 mil, mas ele
poderia ser contratado por no máximo R$ 4 mil. Segundo os
promotores de eventos, Tribazum não deveria custar mais que
R$ 3 mil, mas conseguiu embolsar R$18 mil por sua
participação no carnaval.
A banda Urubu Fogoso, que custaria R$ 4 mil, foi
contratada por R$ 15 mil. Para o vereador Wenceslau Júnior,
praticamente todos os contratos apresentam indícios de
superfaturamento.
De acordo com os dados que constam nos processos de
pagamento no TCM a prefeitura gastou mais de R$ 847 mil na
contratação de atrações e trios elétricos.
"Estamos tentando descobrir onde foi gasto o restante,
já que oficialmente o carnaval custou R$ 1,5 milhão", diz
Wenceslau.