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21/10/2004 - Índio libera BR 101, mas ameaça voltar

                                                               
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Líderes param protesto e foram à Brasília pedir ao presidente da Funai definição quanto ao eucalipto e outras questões

JESSÉ OLYMPIO

ITAMARAJU (DA SUCURSAL EXTREMO SUL) –
Índigenas deram uma trégua e liberaram a BR 101 na manhã de ontem, após 19 horas de interdição.

As lideranças decidiram suspender o protesto e formaram uma comissão que foi para Brasília reunir-se com o presidente da Funai.

 

Eles pretendem obter do órgão uma posição definitiva quanto à monocultura do eucalipto em áreas de retomada, suspensão de liminares de reintegração de posse a favor de fazendeiros do extremo sul e demarcação das terras indígenas em todo território brasileiro.

O trânsito flui normalmente na BR 101, porém as carretas da Veracel Celulose, que transportam eucalipto, estão sendo interceptadas.

Foto: nossacara.com

A comissão também deixou claro para os representantes da Funai “que a liberação desses veículos dependerá do resultado da reunião, e que todos os índios estão de prontidão para fechar, mais uma vez, a estrada, caso não sejam atendidos pelo ministro”.

Até chegarem a esse consenso, índios de diferentes etnias que participavam em Itamaraju de um seminário sobre impactos da monocultura do eucalipto em áreas indígenas mantiveram na Aldeia Guaxuma o procurador federal, Fábio Cavalcanti e o gerente- executivo do Ibama de Eunápolis, José Augusto Tosato.

“É uma alternativa de reivindicação, uma forma de alerta à sociedade sobre os avanços do eucalipto na região.

Iremos, da nossa parte, encaminhar essas questões para as instâncias superiores do Ibama e do Ministério do Meio Ambiente”, declarou Tosato. O Ibama não saiu ileso, também foi duramente criticado pelos índios durante a manifestação.

BARREIRAS DE TORAS – Às 10h10 de ontem, com o apoio da Polícia Rodoviária Federal, os índios retiraram as barreiras feitas com toras de eucalipto e permitiram a passagem de centenas de veículos.

Ficaram os da Veracel, alguns vigiados por índios e suas bordunas (instrumentos).

“Se até sexta-feira a gente não tiver uma resposta, uma medida concreta do presidente da Funai, vamos interditar a pista de novo, com ou sem polícia.

Esperamos que o governo dê uma maior atenção às causas indígenas”, declarou Luís Titiá, pataxó hãhãhãe e coordenador regional da entidade Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste Minas Gerais e Espírito Santo (Apoime).

A Veracel Celulose, através da assessoria de Comunicação Social, informou que não planta eucalipto em áreas indígenas e espera que os órgãos competentes decidam sobre o bloqueio das carretas, que é de conhecimento das autoridades.
 


 

 

Fonte: Sitepopular /A Tarde

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