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Brasília – As lideranças indígenas participantes do
3º Acampamento Terra Livre fizeram hoje (6) uma série de críticas à
atuação dos parlamentares brasileiros diante das questões
relacionadas aos direitos dos índios. Anastácio Beralta, do povo
Guarani-Kaiowa, acusou os congressistas de agirem de acordo com
interesses de certos setores da sociedade.
"A consciência dos parlamentares é atender pessoas que sempre
exploraram esse país, como os madeireiros e latifundiários. Para
eles, o que tem valor é o dinheiro", afirmou Beralta, que também
criticou a concentração de terras no país. "Entendemos que os não
índios precisam viver como nós, felizes, alegres, nos seus espaços.
Mas, agora, não precisa de todos os espaços para um fazendeiro só."
Segundo ele, a ida dos índios ao Congresso Nacional teve o objetivo
de garantir seus direitos, entre eles, os de demarcação de terras
indígenas. Na carta, as lideranças afirmam que seus direitos estão
ameaçados no Congresso Nacional.
"É grande o volume de proposições legislativas que hoje tramitam no
Congresso Nacional contra os direitos indígenas assegurados na
Constituição Federal, especialmente os territoriais", destaca o
documento.
As lideranças indígenas participaram hoje de uma audiência pública
na Comissão de Direitos Humanos do Senado. O vice-presidente do
Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Saulo Feitosa, acompanhou o
grupo e disse esperar que a Comissão de Direitos Humanos encaminhe a
pauta de reivindicação dos índios aos órgão competentes.
Ontem (5), as lideranças se reuniram com o presidente da Câmara,
deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). "O deputado Aldo Rebelo
comprometeu-se em criar uma Comissão Permanente de Assuntos
Indígenas naquela Casa, para discutir e encaminhar todas as demandas
relacionadas com a garantia dos direitos indígenas reconhecidos pela
Constituição Federal", registraram os índios, na carta.
Desde a última terça-feira (4), cerca de 550 índios, representantes
de 86 povos indígenas, estão reunidos no 3º Acampamento Terra Livre.
"Nos últimos quatro anos, tem sido discutidas durante o mês de abril
propostas de políticas para os povos indígenas", explica o
vice-presidente do Cimi.
Os resultados das reuniões e audiências com autoridades foram
consolidados na Carta da Mobilização Nacional Terra Livre elaborada
pelas lideranças. |