|
MP entrou com um protesto judicial e
acusa secretário de Saúde do Estado de omissão pelo não credenciamento da
unidade
JESSÉ OLYMPIO
EUNÁPOLIS (DA SUCURSAL EXTREMO SUL) - O promotor de Justiça Dinalmari
Messias entrou judicial contra o secretário de Saúde do Estado da Bahia, José
Antonio Rodrigues Alves, para prevení-lo da responsabilidade pelas
conseqüências do fechamento do Hemocentro Regional de Eunápolis.
Para o Ministério Público, “o secretário estadual de Saúde é negligente em
não viabilizar o credenciamento do hemocentro e poderá responder a ações
penais por homicídio culposo, caso alguém venha a morrer por falta de
transfusão de sangue.
Bem como a ações cíveis de reparação de danos. O fechamento do Hemocentro
Regional de Eunápolis traz prejuízos para toda região, pois a unidade atende
a mais de 20 municípios do extremo sul da Bahia.
O chefe do laboratório do hemocentro, Mário Gontijo, informa que são, em
média, 18 pedidos diários de bolsas de sangue, em decorrência de cirurgias,
anemias, facadas, tiros, acidentes e queimaduras.
A partir de agora, com a unidade fechada, “para os casos de emergência, a
alternativa é buscar de avião socorro imediato em Salvador. Ou então deixar
o paciente moribundo entregue à própria sorte”, salienta.
CREDENCIAMENTO – O Hemocentro Regional de Eunápolis foi inaugurado em
caráter emergencial, em março deste ano, a partir de um apelo do próprio
Governo do Estado, que garantiu seu imediato credenciamento, segundo informa
a direção da unidade.
“Cumprimos todas as exigências, todos os requisitos, e acabamos com a
prática criminosa da doação braço a braço. Porém o secretário José Antonio
se omitiu”, ressaltou Mário Gontijo, chefe do laboratório do hemocentro.
Mário Gontijo esclareceu ainda que, nesses oito meses, “todas as despesas
com funcionários, fornecedores e material foram arcadas pela NMD Medicina
Transfusional”, a empresa responsável pela total manutenção e conservação do
prédio público.
Desde o dia 19 último, as portas do hemocentro estão fechadas. As verbas do
SUS não foram repassadas, devido à falta do credenciamento, e não há como
coletar sequer uma bolsa de sangue. Quem precisa, tem que contar com a boa
vontade do hemocentro de Itabuna.
SALVAÇÃO – A jovem Maxilene Batista de Jesus, 20 anos, teve
pré-eclâmpsia e prematuramente deu a luz ao pequeno Pedro Gabriel.
Na cesariana, sofreu um choque hipovolêmico (diminuição do volume de
sangue), entrou em coma e quase morreu. A salvação foi uma bolsa de sangue
conseguida com muito esforço no município (Itabuna) que fica a 217
quilômetros de Eunápolis, trajeto que dura três horas de carro.
Situação de desespero enfrentam também aqueles que fazem hemodiálise e
tratamento de câncer, “que volta e meia necessitam de reposição de
sangue”alegam os dirigentes. “Interromper esse serviço é falta de
responsabilidade e de respeito à vida. O que a gente vai fazer, criatura de
Deus?”, desabafou desesperado Manoel Messias do Amaral, 66 anos.
|