18/11/2003

          

18/11/2003

Promotoria quer cópia de programa para analisar declaração de Hebe

da Folha Online

A apresentadora Hebe Camargo, do SBT, disse nesta segunda-feira em seu programa ter vontade de matar o adolescente R.A.A.C., 16, o Champinha, acusado de ser o mentor do assassinato dos namorados Felipe Silva Caffé, 19, e Liana Friedenbach, 16. Por causa da declaração, o Ministério Público Estadual de São Paulo solicitará à emissora uma cópia do programa.

O objetivo é realizar uma "análise contextual", segundo o promotor Carlos Cardoso, assessor de direitos humanos da Procuradoria Geral de Justiça do Estado.

O programa "Hebe" exibido nesta segunda contou com as presenças do pai de Liana, Ari Friedenbach, e da mãe de Felipe, Lenice Silva Caffé.

"Eu vou fazer uma entrevista com você [Champinha]. Vou mesmo. Se me deixarem eu vou. Mas eu vou armada. Eu saio de lá e vou para a cadeia. Mas ele não fica vivo", afirmou Hebe.

 

Folha Imagem
A apresentadora Hebe Camargo, do SBT
 

"Aparentemente tratou-se de um desabafo, mas vamos solicitar ao SBT a íntegra do programa para uma análise contextual", disse Cardoso.

De acordo com ele, somente após a análise será avaliada a possibilidade de instaurar um processo contra a apresentadora.

Hebe Camargo não se pronunciou nesta terça-feira sobre a repercussão de sua declaração. A assessoria de imprensa do SBT afirma que ainda não foi comunicada sobre o pedido do Ministério Público.

Crime

Os namorados estavam desaparecidos desde o último dia 31, quando foram acampar em um sítio abandonado de Embu-Guaçu, na Grande São Paulo.

Felipe morreu com um tiro na nuca no último dia 2, e Liana, a facadas, na madrugada do dia 5, segundo a polícia. Cinco pessoas, entre eles o adolescente, estão detidas sob acusação de envolvimento no crime.

A reconstituição das mortes ocorreu nesta segunda-feira (17). Para esclarecer pontos contraditórios nos depoimentos, Champinha e Paulo César da Silva Marques, 32, o Pernambuco, foram levados à mata, já que são apontados pela polícia como os autores dos assassinatos.

Liana foi violentada e torturada pelos acusados, segundo afirmaram policiais que investigam o crime. O adolescente "idealizou o abuso contra Liana, oferecendo-a aos outros comparsas", disse o delegado Silvio Balangio Júnior, da Delegacia Seccional de Taboão da Serra.

Passeata

Uma passeata está marcada para o próximo sábado (22), em São Paulo, para protestar contra a morte dos estudantes e pedir punição para os assassinos.

A passeata deve sair por volta das 13h45 do colégio São Luís, na região central de São Paulo e onde os adolescentes estudavam, e seguirá até a Assembléia Legislativa, na avenida Pedro Álvares Cabral, em Moema (zona sul).


 

       

                                                            


 

         

 Fonte:Folha