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157/05/2006 - ABr

Primeiro dia do Grito da Terra reúne 1,5 mil agricultores em frente ao Congresso

 

 

Irene Lôbo
Repórter da Agência Brasil


Brasília – O primeiro dia do 12º Grito da Terra conseguiu reunir em frente ao Congresso Nacional cerca de 1,5 mil trabalhadores rurais. Eles vieram em 40 ônibus de 20 estados brasileiros pedir ao governo mais recursos para o plantio e assistência técnica para os agricultores. O movimento foi organizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura(Contag), que representa 25 milhões de agricultores familiares.

As principais reivindicações incluem a garantia de preço mínimo para os produtos da agricultura familiar, a renegociação das dívidas dos produtores, R$ 11 bilhões para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e o cumprimento das metas da reforma agrária.

Para o presidente da Contag, Manoel dos Santos, a solução para o problema dos agricultores é unir os recursos com a assistência técnica e a garantia do preço mínimo. "Nós estamos tendo problemas hoje com as famílias que produzem e não têm como vender. Então, o agricultor sofre duas vezes: sofre quando não produz e não tem o que vender e quando produz e não tem a quem vender", afirmou.

O agricultor Boaventura Ferreira dos Santos, de 67 anos, participou do Grito da Terra 2006 porque este ano não conseguiu dinheiro para arar sua pequena propriedade, localizada no município de Formosa, em Goiás. Pai de seis filhos, Santos afirmou que nem pensa em largar o trabalho no campo, pois não se acostumaria a viver "na cidade grande".

"Falta dinheiro para comprar adubo, falta dinheiro para arar a terra. Nós estamos em dificuldade", disse o produtor de milho, arroz e feijão. "Mas essa plantação agora que vem eu acredito que seja melhor, porque às vezes a gente faz uma boa negociação e sai um dinheiro para a gente arrumar as coisas. Então, Deus abençoe que seja tudo bem", pediu o agricultor.

No período da tarde, cerca de 200 agricultores familiares vão entrar no Congresso Nacional para tentar mobilizar os parlamentares pela aprovação do Projeto de Lei 6852/200, que trata da Previdência Rural.

O diretor da Federação dos Agricultores de Santa Catarina, Ercílio Jair de Stefani, pedirá ainda que os deputados e senadores olhem com atenção para o problema do endividamento na agricultura. "O principal problema no estado de Santa Catarina é o endividamento na agricultura familiar. Devido aos baixos preços, o nosso agricultor, que foi buscar o financiamento de custeio e investimento, não está tendo como vender o produto e saldar os seus compromissos", afirmou.

 

         

 

 
 
 
 
 

 

 
 
 
 

 

 

 

 

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