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De acordo com o Datafolha, está errada a
estratégia de Lula de abafar a CPI dos Correios
SÃO PAULO - Os últimos 14 meses marcaram uma
explosão na percepção da população de que existem
atos de corrupção no
governo Luiz Inácio Lula da Silva. Entre março de 2004 e a semana passada,
dobrou de 32% para 65% o percentual de brasileiros que acreditam que o
governo Lula é corrupto. Além disso, 88% da população apóia a instalação
da CPI dos Correios.
É o que afirma pesquisa do Instituto
Datafolha, publicada na edição de ontem do jornal Folha de S.Paulo. No
mesmo período, o percentual dos que não enxergam atos de corrupção na
atual administração petista despencou para metade, de 42% para 21%.
Os resultados da pesquisa Datafolha,
realizada entre os dias 31 de maio e 1º de junho com 2.532 entrevistas em
todo o país, coincidem com um período de várias tentativas do governo de
inviabilizar a criação da CPI dos Correios no Congresso Nacional.
O mesmo levantamento revelou que a maioria -
88% dos entrevistados - apóia a criação da Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) dos Correios. Entre os entrevistados que votaram em Lula e
entre simpatizantes do PT, o percentual é quase o mesmo, 89% apóiam a
instalação da CPI no Congresso.
A pesquisa aponta ainda que o número de
pessoas que acreditam em corrupção atingiu quase o mesmo índice registrado
no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que foi de 69% em maio de
2002. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para
mais ou para menos.
A pesquisa Datafolha registra um aspecto do
governo Lula que vem sendo alvo de ataques do seu próprio partido: para
expressivos 59% dos entrevistados, o presidente da República "deixou de
defender a maior parte das idéias que tinha antes de ser eleito".
O PT passa atualmente por uma grande crise
interna, com várias alas do partido inconformadas com a política econômica
e com as alianças políticas adotadas pelo Palácio do Planalto. Alguns
congressistas já se desligaram da sigla e fundaram uma nova agremiação, o
Psol.
Essa diáspora no PT nunca foi tão bem
retratada de maneira científica como na pesquisa do Datafolha. Entre os
entrevistados que se declararam petistas, nada menos do que 42% acham que
Lula abandonou a maior parte de suas idéias depois de ascender ao Palácio
do Planalto.
Nos outros partidos, sempre mais de 60%
acreditam que o presidente passou a ter idéias diferentes depois de tomar
posse. Apesar de desacreditado por parte considerável do PT, é entre os
petistas que Lula continua com a imagem menos desgastada.
Na semana em que o governo federal mais se
esmerou pela "operação abafa" contra a CPI dos Correios, prometendo
liberar verbas do Orçamento para deputados e senadores, o Datafolha
constatou que os brasileiros identificam nos políticos os maiores
beneficiados pela administração petista de Lula.
Para 29% dos pesquisados, são os políticos
de maneira geral os que mais se saem bem na administração Lula. Esse
número vem crescendo. Em dezembro passado, eram apenas 21% os que
escolhiam essa resposta - que é estimulada junto com outras sete.
Em dezembro, os políticos rivalizavam com o
setor agrícola. Naquele mês, 17% achavam que a agricultura era a área mais
beneficiada sob Lula. Agora, subiu no imaginário dos pesquisados a
categoria dos políticos e os bancos.
Para 24%, o setor bancário é o que mais se
beneficia com Lula no poder. Nas últimas semanas, as instituições
financeiras vêm anunciando lucros recordes, muitos desses resultados
lastreados na política de juros altos do governo federal. Agricultura, com
11% de citações, caiu para o terceiro lugar.
Embora o Partido dos Trabalhadores tenha
chegado ao poder, para os entrevistados pelo Datafolha são os
"trabalhadores de um modo geral" os mais prejudicados no governo Lula.
Essa categoria está na dianteira há algum tempo, mas vem perdendo terreno.
Em dezembro de 2003, para 40% os trabalhadores eram os mais prejudicados.
O setor que aparece na segunda colocação é o setor agrícola (15%), seguido
por comércio e serviços (ambos com 14% cada um) |