De
Antero Gomes do jornal Extra no
Globo Online:
RIO - O pré-candidato à
Presidência da República pelo PMDB, Anthony Garotinho,
anunciou, na tarde deste domingo,30/04, que entrou em greve de
fome, em protesto às denúncias de irregularidades na
arrecadação de recursos para a sua pré-campanha. Garotinho
quer uma supervisão internacional no processo político
eleitoral brasileiro e tomou a decisão pelo protesto "como
último recurso em defesa da verdade". Ele pede ainda
igualdade no tratamento em relação aos demais candidatos.
Garotinho escolheu a sede do partido no Rio como endereço de
sua greve de fome. O pré-candidato sentou-se num sofá na
antesala da presidência regional do partido, ao alcance das
câmeras de jornais e TVs, e pôs-se a ler um livro. Alguns
minutos depois, a governadora Rosinha Garotinho sentou-se e
abraçou o marido. Os dois, então, passaram um longo período
na mesma posição, de olhos fechados, ainda diante das
câmeras.
Reportagem de capa da revista "Veja", que chegou às bancas
neste fim de semana, adiciona algumas novidades à lista de
supostas irregularidades denunciadas na prestação de contas
de Garotinho . Além dos problemas com doadores de campanha,
como o de empresários que doaram dinheiro e são diretores de
ONGs que receberam cerca de R$ 112 milhões do Governo do
Estado, a reportagem também identifica problemas com os
fornecedores.
Na última sexta-feira, o peemedebista garantiu, em discurso
e em entrevista, que as denúncias não fazem sentido e disse
que não desistirá da candidatura:
- O processo foi legal e colocado na internet para a
população acompanhar. Eu queria que o Lula seguisse o meu
exemplo e dissesse: 'meu filho (Lulinha), devolve aqueles
R$10 milhões da Telemar que não podia ter recebido'.
Na ocasião, Garotinho também chamou o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva de covarde.
- Eu poderia fazer como o Lula, atual presidente da
República faz, e dizer: eu não sabia de nada. Só que eu sou
homem e não sou covarde - declarou.
O ex-governador do Rio alegou que os recursos recebidos por
sua pré-campanha serão devolvidos "por questão ética, apesar
de estar tudo dentro da lei".
Os sócios de empresas que doaram dinheiro para a
pré-campanha de Garotinho também fazem parte do quadro de
diretoria de entidades sem fins lucrativos que receberam R$
254 milhões do governo Rosinha para supostos serviços ao
estado, como reportagens do jornal "O Globo" mostraram.