Protesto é contra
sessão extraordinária da Câmara para votar sete projetos
Maria Eduarda Toralles
ITAMARAJU (DA SUCURSAL EXTREMO SUL) – O prefeito eleito de
Itamaraju (a 733 km de Salvador), nas últimas eleições, Frei Dílson (PT)
está desde segunda-feira às 15 horas em jejum (alimentando-se somente
com líquidos), na Câmara Municipal da cidade, na região extremo sul do
Estado, na tentativa de impedir a sessão extraordinária da Câmara para a
aprovação de sete projetos de lei propostos pelo atual prefeito Aluyr
Tassizo Carletto (PTB).
– Vou radicalizar. Daqui só saio morto. Vou permanecer na Câmara em
jejum, até ter certeza de que esses projetos não serão aprovados –
garantiu Frei Dílson.
A ação do prefeito eleito é para impedir a aprovação dos projetos de lei
referentes à apreciação das contas do exercício municipal, concessão da
administração do terminal rodoviário, a adequação do valor de passagens
rodoviárias urbanas, doação de uma área urbana para a Conder, revogação
da CIP, aumento de 11% para os funcionários públicos e a isenção do ISS
para o Sicoob. Frei Dílson disse que considera a apresentação dos
projetos um desrespeito com a comunidade de Itamaraju.
Ainda segundo o prefeito eleito, os projetos são de interesse pessoal do
atual prefeito, revelando que há boatos de que a concessão da
administração do terminal rodoviário seria para beneficiar a família
Carletto.
OUTRO LADO – De acordo com o atual secretário de governo, Vivaldo
Góes, os projetos só foram apresentados, agora, à Câmara Municipal, que
já está em recesso, porque o presidente da Casa teria dificultado a
apresentação.
– O prefeito se viu obrigado a convocar uma sessão ordinária. São
projetos de interesse do município, não dá para deixar para depois –
argumenta o secretário de governo.
Góes afirmou que a doação da área no perímetro urbano é para a
construção de 230 casas com o financiamento da Caixa Econômica por meio
do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e que a liberação do
restante da verba para a conclusão das obras depende desta doação.
O reajuste no transporte urbano não ocorre há três anos, garantiu o
secretário de governo. “É o mais barato da Bahia”, assinalou. Para Góes,
a atitude do prefeito eleito é um desrespeito com o poder.