|
Priscilla
Mazenotti
Repórter da Agência Brasil
Brasília – A Corregedoria da Câmara e o Supremo Tribunal Federal têm
uma lista com o nome de 283 parlamentares que tiveram algum
relacionamento com a Planan, a empresa apontada como responsável
pela fraude na compra de ambulâncias por meio de emendas no
orçamento. A informação foi dada pelo advogado Eduardo Mahon, que
defende a ex-assessora do Ministério da Saúde Maria da Penha Lino.
Segundo Mahon, o material estaria no back-up do computador da
ex-assessora. Ele explicou que há uma tabela completa que aponta o
número da emenda, o processo correspondente, o valor empenhado, o
parlamentar responsável, o município, a organização para a qual foi
destinado o material de saúde e a pessoa que acompanhou o processo.
Penha Lino prestou depoimento hoje (17) durante 1h30 à Corregedoria
da Câmara, na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. "Ela
diz que a liberação de uma emenda pressupõe o contato com a empresa
[Planan]. Se esses 283 nomes que estão lá tiveram um
relacionamento espúrio com a empresa, o Ministério Público vai
apurar", disse Mahon. Ele afirmou ter sugerido ao MP e à
corregedoria que cruzassem as informações das emendas liberadas com
as licitações feitas. "Se esse cruzamento resultar em 80% ou 90% de
licitações feitas pela empresa [Planan], significa que essa
lista bate", explicou.
O advogado disse que Maria da Penha Lino nunca viu, entregou ou
repassou dinheiro. "Mas ela tem conhecimento de que todos os
deputados que estão na relação da empresa devem ter tido algum
contato com a empresa, que ela não pode dizer qual foi. São indícios
extremamente fortes". Mahon afirmou que "ela acha que o parlamentar
contatado pela empresa só liberava emenda mediante negociação.
Agora, há uma grande diferença entre afirmar quanto era, como era e
se há uma efetividade [de crime]".
Neste momento, a Corregedoria da Câmara ouve Luiz Antonio Trevisan
Vedoin, filho do proprietário da Planan. Ainda hoje, a corregedoria
ouve mais seis pessoas acusadas de participar do esquema: outro
filho do proprietário da Planan, Alessandra Vedoin; a mulher do
empresário, Cleia Trevisan; os empresários Gustavo Trevisan Gomes e
Ronildo Pereira Medeiros; o representante comercial da Planan
Alessandro Silva de Assis e o motorista ligado à empresa, Felipe
Fernandez Freitas, identificado como a pessoa que levava os
empresários ao Congresso.
O relator da corregedoria, deputado Robson Tuma (PFL-SP), disse que
vai analisar o depoimento da Penha Lino com cautela. Ele disse que
vai pedir ao STF o material do back-up do computador dela para
descobrir se o material da Corregedoria e do STF batem. "Tenho que
analisar tudo com muito cuidado", disse. |