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Eunápolis
busca manter viva a tradição das quadrilhas juninas. No Forródromo do
Pedrão a Comissão Organizadora do evento criou o Primeiro Concurso de
Quadrilhas Juninas da cidade, com apresentações nos dias 2 e 3 de julho
(sábado e domingo). Segundo o diretor de Cultura do município, Max do
Carmo, oito quadrilhas juninas, representantes dos bairros e distritos,
estarão concorrendo a um prêmio em dinheiro, para primeiro, segundo e
terceiro lugares, instituído pelo município, com o propósito de estimular
a manutenção desta tradição do folclore nordestino.
Aliás, a abertura do Forródromo do Pedrão, nesta quarta-feira,dia 29 de
junho, será feita com a apresentação da quadrilha junina da Renovação,
composta por 24 pares e marcada pela artista Eliete Mulato Colares. A
maior parte dos membros desta quadrilha são servidores públicos municipais
e estão há quase dois meses realizando ensaios, nas noites de sexta-feira,
no pátio da Escola Municipal Humberto de Campos, no bairro do Gusmão.
Foi-se o tempo em que uma quadrilha junina resumia-se a pequenos volteios
com o “olha a chuva”, “é mentira”, e “caminho da roça”, com algumas
marcações em francês – a tradição originou-se dos passos do minueto
francês, contam algumas versões sobre a origem da dança. Hoje, as
quadrilhas juninas são verdadeiros grupos que podem ser formados por até
60 pessoas, entre dançarinos, banda de música e produção. Algumas têm
estatutos e os integrantes pagam em carnês pelo direito de fazer parte da
agremiação – como num bloco de Carnaval, “mas de estrutura menor e menor
capacidade financeira”, adianta Eliete Colares. |
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Embora com
toda essa modernidade alcançada por algumas quadrilhas em cidades onde
tradicionalmente realizam-se os concursos, como em Caruaru, Campina
Grande, Salvador e Sergipe, ela se queixa que o número de grupos ainda é
pequeno e modesto em Eunápolis. “A cidade jamais criou incentivos para os
concursos, porque os grupos ensaiavam sem saber ser os prefeitos vão ou
não valorizar esta nossa expressão cultural”.
Josemar
Siquara, coordenador da Comissão do São Pedro, e secretário de Governo do
município promete que a prefeitura, a exemplo deste ano, vai promover
concursos anuais no sentido de criar boas oportunidades de diversão e
divulgação da quadrilha junina. “Mesmo à espera de mais apoio, as
quadrilhas em Eunápolis estão em plena atividade, representando os bairros
Juca Rosa, Rosa Neto, Gusmão, Colônia, dentre outros, a fim de participar
do concurso,” disse.
A verdade
é que as quadrilhas estão em plena atividade. De abril até o final de
junho é a época em que os jovens mobilizam-se para as festas juninas.
Segundo Eliete, o modelo de pagamento de carnê ainda não foi testado em
Eunápolis, mas pode ser uma ótima alternativa, porque a mensalidade cobre
em parte os custos de um a quadrilha que pode ter um gasto entre R$ 4 mil
a R$ 13 mil. O restante do valor pode ser arrecadado em bingos e rifas,
completou.
A maior
parte das quadrilhas é formada por jovens entre 14 e 30 anos compondo os
grupos de dançarinos. Com os passos coreografados poucos se arriscam a
participar. Apesar de a modernidade e passos inovadores terem invadido as
coreografias, as quadrilhas têm obrigação com relação à cultura junina.
“Elas não
podem perder a essência”, diz Eliete Colares. “Dançamos em pares de
homens e mulheres, com um mínimo de 15 casais em quadro e só tocamos
músicas tradicionais: xaxado, baiões, xotes. Os homens só podem dançar de
calça, camisa e chapéu, e as mulheres de vestidos”.
O que
acabou nos grupos atuais foi a “coisa caipira”, diz. Em seu lugar,
surgiram os temas: cangaceiros, vaqueiros, Luiz Gonzaga. No caso do tema
“Luiz Gonzaga”, os homens vestem-se como o “Rei do Baião” , usando gibão e
chapéu de couro e carregando uma sanfona, enquanto as mulheres, neste
tema, invariavelmente são as famosas “mulheres rendeiras”, imortalizadas
por Gonzagão.
Com o
objetivo de uniformizar as apresentações, a prefeitura, através do
Departamento de Cultura, montou um regulamento, segundo o artista plástico
Max do Carmo, que foi enviado para cada escola ou grupo participante. O
regulamente, entre outros tópicos, determinada a obrigatoriedade do uso
dos quatro elementos tradicionais na coreografia: “cumprimento, grande
roda, túnel e casamento”. Proíbe uso dos fogos de artifícios e outros
materiais de combustão, uso de animais, material político e armas brancas
e de fogo, e permite o uso de som mecânico, embora as quadrilhas prefiram,
diz ela, levar a própria banda, que mescla os instrumentos tradicionais do
forró com teclados e guitarras. |