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30/11/2003 - 15:49

Polícia
Garoto assassinado por colegas em Brasília

O garoto emitiu flatulências em hora indevida. Esse foi o motivo alegado pelos colegas da instituição nos moldes da Febem, situada em Brasília

Jair Fernandes, do A Tarde On Line*

Wesley Alves da Silva, 15 anos, interno do Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje), reformatório de menores em Brasília, DF, foi assassinado na noite da sexta-feira(28) ou na madrugada do sábado(29). Ele foi espancado e enforcado por três colegas de alojamento depois de "desrespeitar uma norma de conduta": haver emitido flatulências durante um lanche da sexta, servido por volta das 20h.

A diretora do Caje, Maria Aparecida Fontenelli, confirmou o motivo do crime bárbaro. "Perguntados, (os acusados) relataram que a vítima "deu um grave", ou seja, produção de flatulência na hora do lanche’’, descreve nota oficial do Caje.

Ao retornar ao alojamento, houve provocações entre eles e o três colegas partiram para cima de Wesley com socos e pontapés. O garoto desmaiou e, em seguida, foi enforcado com um lençol. Eles ocultaram o corpo do rapaz sob colchões e foram dormir.

Os monitores da instituição perceberam a ausência do menor às 8h do sábado, quando houve troca no plantão e contagem dos internos.

"Eles estão cada vez mais violentos, mais frios. Eles não têm consciência do valor da morte", afirmou Maria Aparecida em entrevista à Rádio CBN. F.C.M., 17, o mais velho da turma, já matou outro colega. Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), este crime cometido pelo reincidente não acrescenta nenhum dia à pena que ele está cumprindo - três anos - o máximo permitido para o menor infrator. Os outros dois acusados são W.A.D., 15, e A.G.S.F., 13.

Rotina e más condições
O assassinato de Wesley Alves da Silva foi o segundo em menos de um mês dentro do Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje).

Quem sai de lá também continua correndo risco de ser morto. Em 2003 já foram executados 27 jovens depois de deixar o Caje, por causa de rixas, acerto de contas e brigas entre gangues rivais. Os sobreviventes vivem sob ameaças constantes de desafetos, parentes de rivais que mataram e até mesmo policiais.

"Nunca haverá medida socioeducativa de sucesso num lugar com as características do Caje", explicou o ministro Nilmário Miranda, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Para ele, que se diz frustrado e chateado com o assassinato do menor, o Caje é "inadequado, escuro, feio e superlotado".

*com informações do Correio Braziliense e do Diário On Line
 


 

Fonte: A Tarde

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