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Os presos
chegaram ontem ao Presídio de Salvador, onde ficarão até o julgamento
Acusados de
aplicar golpes que causavam um prejuízo avaliado em quase R$3 milhões por
mês aos cofres
públicos,
os nove fiscais de tributos estaduais da Secretaria da Fazenda do estado (Sefaz)
presos pela polícia em Porto Seguro, a 707km de Salvador, chegaram no
final da tarde de ontem ao Presídio de Salvador, acompanhados de um forte
aparato policial. Com prisão preventiva decretada pela Justiça, os
golpistas devem responder às acusações de formação de quadrilha, corrupção
(passiva ou ativa) e crime contra a ordem tributária.
Armados de
escopetas e pistolas, dezenas de policiais civis da Delegacia de Crimes
Econômicos e Contra a Administração Pública (Dececap) e militares
acompanharam a viagem dos fiscais de Porto Seguro a Salvador. Eles
chegaram por volta das 17h30 no ônibus leito de placa BWD-2996.
Aparentemente cansados, as mulheres desembarcaram no Presídio Feminino,
enquanto os homens no Centro de Observação Penal (COP), onde devem
permanecer até serem julgados.
Algemados e
se esquivando das câmaras fotográficas, o auditor fiscal Lenoir Castro
Santos, os agentes de tributos Nivaldo Pratti Guiseppe, Raul Belisário
Rocha Gonzaga, Paulo Almeida Santos, Antonio José dos Santos, Arlete
Cândida Venturim, Vilma Pinheiro Soares, Daniel Miguel de Oliveira,
Eduardo de Almeida Porcino, José Torres Cardoso, Alberto Magno Quaresma de
Novais, Audivina Lorentini, irmã de Nivaldo e Sebastiana Maria da Cruz,
empregada de uma outra irmã dele, negaram todas as acusações e chegaram a
falar em perseguição política.
O promotor
público Cícero Ornellas, coordenador do Centro de Combate aos Crimes
Contra a Ordem Tributária (Caofins), ressaltou que a operação é fruto de
um trabalho de investigação do Ministério Público, Secretaria da Fazenda
do estado (Sefaz) e Dececap. Ele contou que, em Teixeira de Freitas,
Eunápolis e Porto Seguro, onde moravam, "era pública e notória a prática
dos golpes executados pela quadrilha". Alguns dos colegas de postos dos
acusados chegaram a solicitar à Sefaz que fossem trocados de plantão, pois
se sentiam constrangidos, revelou o promotor.
Com um
mandado de busca e apreensão em mãos, a polícia encontrou na Casa
Comercial Celmi, um atacadista de Salvador, dezenas de notas fiscais. O
promotor revelou que a empresa tinha "laranjas" e que o verdadeiro dono da
empresa era o diretor da rede de supermercados Rondele. Nos
escritórios da empresa também foram apreendidas diversas notas fiscais. De
acordo com o promotor, o empresário, cujo nome ainda não foi divulgado,
vai ser incluído no processo por corrupção ativa. Outros cinco empresários
estão sendo investigados e, caso seja constatado que têm participação nos
golpes, responderão a processo criminal. Os presos foram afastados de suas
funções por 60 dias, por uma Comissão de Processo Administrativo
Disciplinar, até que o MP encaminhe o resultado das investigações ao
governador Paulo Souto. |