Conforme D.
Geraldo, muitas vezes são produzidas obras apenas com o intuito de
ganhar dinheiro (como ele acha ser o caso do filme e do livro),
"contendo afirmações levianas e até com um engodo muito bem feito,
levando a dúvida e a perplexidade às pessoas", disse. "Não temos o
desejo de proibir ninguém de ver o filme, mas alertamos as pessoas a
se informarem bem para não sair de lá dizendo: puxa agora virou
tudo", comentou.
Entre as
provocações da obra de Brown está a versão de que Jesus casou-se com
Maria Madalena e que a Igreja procurou esconder a verdade sobre a
vida do Salvador. "Vamos acreditar nos Evangelhos ou nesses escritos
e interpretações dos últimos tempos?", indagou, admitindo que uma
obra cinematográfica tem um impacto maior que uma literária.
"Certamente aquilo que está no vídeo, entra mais profundamente,
causa uma impressão bem maior; o livro, não são todos os que tem
contato", disse hoje, na capital baiana, ao falar sobre a
programação da Semana Santa.
Obra de ficção
não retrata história de Jesus
O cardeal-arcebispo
de Salvador e primaz do Brasil assinou uma nota da CNBB orientando
os católicos como proceder em relação ao filme. "Não devemos
esquecer que a obra em questão é de ficção e não retrata a história
de Jesus, nem da Igreja", diz num trecho. E alerta: "O que é
fantasia deve ser lido e entendido como fantasia. As únicas fontes
dignas de fé sobre a vida de Jesus e o início da Igreja estão nos
textos do Novo Testamento, na Bíblia".
Segundo o cardeal,
nos períodos de datas consideradas sagradas pela Igreja Católica
como o Natal e Semana Santa "sempre aparece alguma coisa para
desmerecer a instituição". Ele citou também a recente divulgação da
tradução completa do Evangelho de Judas.
Mas não é sempre
que a CNBB critica obras artísticas baseadas em passagens da Bíblia.
A entidade e d. Geraldo gostaram e recomendaram há dois anos o filme
A Paixão de Cristo, de Mel Gibson, que retrata as últimas
horas de vida de Jesus. A fita foi condenada pelos judeus por passar
a idéia de que apenas os sacerdotes judeus foram os responsáveis
pela morte de Jesus.