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14/04/2006 - Estadão

Católico não deve ver Código Da Vinci, recomenda CNBB

 

 

SALVADOR - O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Geraldo Majella Agnelo, aconselhou hoje os católicos a não assistirem ao filme O Código Da Vinci, baseado no livro homônimo do escritor Dan Brown. O argumento é que ele apresenta "uma imagem distorcida de Jesus Cristo, que está em contraste com as pesquisas e afirmações de estudiosos de diversas áreas das ciências humanas, da teologia e dos estudos bíblicos".

Assista ao trailer do filme, clique

 

Conforme D. Geraldo, muitas vezes são produzidas obras apenas com o intuito de ganhar dinheiro (como ele acha ser o caso do filme e do livro), "contendo afirmações levianas e até com um engodo muito bem feito, levando a dúvida e a perplexidade às pessoas", disse. "Não temos o desejo de proibir ninguém de ver o filme, mas alertamos as pessoas a se informarem bem para não sair de lá dizendo: puxa agora virou tudo", comentou.

Entre as provocações da obra de Brown está a versão de que Jesus casou-se com Maria Madalena e que a Igreja procurou esconder a verdade sobre a vida do Salvador. "Vamos acreditar nos Evangelhos ou nesses escritos e interpretações dos últimos tempos?", indagou, admitindo que uma obra cinematográfica tem um impacto maior que uma literária. "Certamente aquilo que está no vídeo, entra mais profundamente, causa uma impressão bem maior; o livro, não são todos os que tem contato", disse hoje, na capital baiana, ao falar sobre a programação da Semana Santa.

Obra de ficção não retrata história de Jesus

O cardeal-arcebispo de Salvador e primaz do Brasil assinou uma nota da CNBB orientando os católicos como proceder em relação ao filme. "Não devemos esquecer que a obra em questão é de ficção e não retrata a história de Jesus, nem da Igreja", diz num trecho. E alerta: "O que é fantasia deve ser lido e entendido como fantasia. As únicas fontes dignas de fé sobre a vida de Jesus e o início da Igreja estão nos textos do Novo Testamento, na Bíblia".

Segundo o cardeal, nos períodos de datas consideradas sagradas pela Igreja Católica como o Natal e Semana Santa "sempre aparece alguma coisa para desmerecer a instituição". Ele citou também a recente divulgação da tradução completa do Evangelho de Judas.

Mas não é sempre que a CNBB critica obras artísticas baseadas em passagens da Bíblia. A entidade e d. Geraldo gostaram e recomendaram há dois anos o filme A Paixão de Cristo, de Mel Gibson, que retrata as últimas horas de vida de Jesus. A fita foi condenada pelos judeus por passar a idéia de que apenas os sacerdotes judeus foram os responsáveis pela morte de Jesus.

 

         

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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