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Especial - Ferrovias completam 150 anos com baixa participação no
transporte brasileiro
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A participação das ferrovias na matriz de
transportes cresceu de 19% para 24% nos últimos anos. Empresas têm
previstos investimentos de R$ 7 bilhões. Na foto, o presidente
Lula em inauguração do terminal ferroviário da Ferronorte, em Mato
Grosso, no ano passado |
14:34
Jorge Wamburg
Repórter da Agência Brasil
Brasília – “Hoje, dignar-se-ão Vossas Majestades de recorrer à
locomotiva veloz, cujo apito agudo ecoará na mata do Brasil prosperidade
e civilização e marcará, sem dúvida, uma nova era do país. Seja-me
permitido, Imperial Senhor, exprimir nesta ocasião solene, um dos mais
ardentes anseios do meu coração. Esta estrada de ferro que se abre hoje
ao trânsito público é apenas o primeiro passo na realização de um
pensamento grandioso”.
Com estas palavras carregadas de otimismo e euforia, o empresário Irineu
Evangelista de Sousa saudou a inauguração da primeira estrada de ferro
do Brasil, na presença do Imperador Pedro II, no dia 30 de abril de
1854, data em que também foi agraciado com o título de Barão de Mauá.
Passados 150 anos, porém, a visão de futuro do Barão não se tornou a
realidade que ele esperava e hoje as ferrovias enfrentam problemas como
a integração com outros tipos de transporte, chamada de intermodalidade.
Este conceito, no entanto, já estava presente no dia seguinte à
inauguração, quando foi aberto o tráfego da Imperial Companhia de
Navegação e Estrada de Ferro Petrópolis. Nos 14,5 quilômetros da estrada
eram transportadas cargas e também passageiros, em conexão com a barca a
vapor Guarani, que ia da Prainha, na Praça Mauá, até o ponto inicial da
ferrovia, a estação de Guia e Pacopahyba, depois Barão de Mauá, no Rio
de Janeiro.
A intermodalidade é um conceito moderno, para baratear os custos e
abreviar o tempo de transporte, mas ainda incipiente no Brasil. Para o
presidente da Frente Parlamentar Ferroviária, deputado federal Jaime
Martins (PL-MG), trata-se de apenas um dos obstáculos que o setor
enfrenta para crescer.
Prioridade
Desde que as rodas da locomotiva Baronesa giraram pela primeira vez nos
trilhos da Estrada de Ferro Barão de Mauá, a malha ferroviária cresceu
para os atuais quase 30 mil quilômetros em todo o país – muito aquém do
necessário para as dimensões brasileiras. A concentração de esforços e
recursos no setor rodoviário durante as últimas décadas gerou o que o
ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, considera um equívoco de
prioridade da matriz brasileira. A meta é reverter o quadro para o setor
ferroviário, que vive uma fase de crescimento depois das privatizações
promovidas pelo governo passado, a partir de 1996.
A participação das ferrovias na área de transportes cresceu de 19% para
24% nos últimos anos, segundo dados da Associação Nacional dos
Transportadores Ferroviários (ANTF), e pode chegar a 30%. Para isto as
empresas têm previstos para os próximos cinco anos investimentos de R$ 7
bilhões em infra-estrutura, como compra de vagões e locomotivas, mais R$
2 bilhões pela renúncia do governo à receita com o arrendamento de
equipamentos das antigas estatais, e mais R$ 3 bilhões de repasse de
tributos como a Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico (Cide).
Apesar dessa recuperação, o presidente da Frente Parlamentar Ferroviária
lamenta a baixa participação no mercado de transportes – mesmo em
segmentos onde essa modalidade é a mais adequada, como o transporte de
grãos, produtos siderúrgicos e derivados de petróleo. “A infra-estrutura
ferroviária ainda não atingiu a fronteira agrícola brasileira e deixa
sem alternativa eficiente de transporte as regiões Centro-Oeste, Norte e
Nordeste, responsáveis por mais da metade da produção de grãos do país”,
lamenta o deputado.
Em relação à extensão terrritorial do Brasil, nossa malha ferroviária é
a menor na comparação com países que têm a mesma área e níveis
compatíveis de desenvolvimento.
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