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05-05-2004 - Ferrovias

 


 

Especial - Ferrovias completam 150 anos com baixa participação no transporte brasileiro

 

A participação das ferrovias na matriz de transportes cresceu de 19% para 24% nos últimos anos. Empresas têm previstos investimentos de R$ 7 bilhões. Na foto, o presidente Lula em inauguração do terminal ferroviário da Ferronorte, em Mato Grosso, no ano passado

 

14:34
 

Jorge Wamburg
Repórter da Agência Brasil


Brasília – “Hoje, dignar-se-ão Vossas Majestades de recorrer à locomotiva veloz, cujo apito agudo ecoará na mata do Brasil prosperidade e civilização e marcará, sem dúvida, uma nova era do país. Seja-me permitido, Imperial Senhor, exprimir nesta ocasião solene, um dos mais ardentes anseios do meu coração. Esta estrada de ferro que se abre hoje ao trânsito público é apenas o primeiro passo na realização de um pensamento grandioso”.

Com estas palavras carregadas de otimismo e euforia, o empresário Irineu Evangelista de Sousa saudou a inauguração da primeira estrada de ferro do Brasil, na presença do Imperador Pedro II, no dia 30 de abril de 1854, data em que também foi agraciado com o título de Barão de Mauá.

Passados 150 anos, porém, a visão de futuro do Barão não se tornou a realidade que ele esperava e hoje as ferrovias enfrentam problemas como a integração com outros tipos de transporte, chamada de intermodalidade. Este conceito, no entanto, já estava presente no dia seguinte à inauguração, quando foi aberto o tráfego da Imperial Companhia de Navegação e Estrada de Ferro Petrópolis. Nos 14,5 quilômetros da estrada eram transportadas cargas e também passageiros, em conexão com a barca a vapor Guarani, que ia da Prainha, na Praça Mauá, até o ponto inicial da ferrovia, a estação de Guia e Pacopahyba, depois Barão de Mauá, no Rio de Janeiro.

A intermodalidade é um conceito moderno, para baratear os custos e abreviar o tempo de transporte, mas ainda incipiente no Brasil. Para o presidente da Frente Parlamentar Ferroviária, deputado federal Jaime Martins (PL-MG), trata-se de apenas um dos obstáculos que o setor enfrenta para crescer.

Prioridade

Desde que as rodas da locomotiva Baronesa giraram pela primeira vez nos trilhos da Estrada de Ferro Barão de Mauá, a malha ferroviária cresceu para os atuais quase 30 mil quilômetros em todo o país – muito aquém do necessário para as dimensões brasileiras. A concentração de esforços e recursos no setor rodoviário durante as últimas décadas gerou o que o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, considera um equívoco de prioridade da matriz brasileira. A meta é reverter o quadro para o setor ferroviário, que vive uma fase de crescimento depois das privatizações promovidas pelo governo passado, a partir de 1996.

A participação das ferrovias na área de transportes cresceu de 19% para 24% nos últimos anos, segundo dados da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), e pode chegar a 30%. Para isto as empresas têm previstos para os próximos cinco anos investimentos de R$ 7 bilhões em infra-estrutura, como compra de vagões e locomotivas, mais R$ 2 bilhões pela renúncia do governo à receita com o arrendamento de equipamentos das antigas estatais, e mais R$ 3 bilhões de repasse de tributos como a Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico (Cide).

Apesar dessa recuperação, o presidente da Frente Parlamentar Ferroviária lamenta a baixa participação no mercado de transportes – mesmo em segmentos onde essa modalidade é a mais adequada, como o transporte de grãos, produtos siderúrgicos e derivados de petróleo. “A infra-estrutura ferroviária ainda não atingiu a fronteira agrícola brasileira e deixa sem alternativa eficiente de transporte as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, responsáveis por mais da metade da produção de grãos do país”, lamenta o deputado.

Em relação à extensão terrritorial do Brasil, nossa malha ferroviária é a menor na comparação com países que têm a mesma área e níveis compatíveis de desenvolvimento.


 

Fonte: Sitepopular

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