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Hospital Regional
paralisado só atende emergência; médicos denunciaram ao MP deterioração
dos serviços
JESSÉ OLYMPIO
EUNÁPOLIS – Com base em ação civil pública movida em novembro pelo
promotor de Justiça Dinalmari
Mendonça
Messias, o juiz Otaviano Andrade Sobrinho determinou o bloqueio das
receitas municipais de Eunápolis. A decisão visa assegurar R$ 1.835.800,
para pagar salários de servidores e contratados da saúde e de outras áreas
da adminsitração. E os 13º de 2003 e 2004. Pressionada pela decisão
judicial e mobilização dos servidores, a prefeitura pagou os salários de
outubro e, segundo o Ministério Público, parte do mês novembro.
Mas, vários setores do Hospital José Maria Magalhães Neto (Hospital
Regional de Eunápolis) continuam paralisados por tempo indeterminado, só
atendem em ergência. Funcionários reivindicam melhores condições de
trabalho e têm apoio de médicos que, através do Cremeb, denunciaram ao
Ministério Público a deterioração dos serviços de saúde do município.
Treze pediram afastamento do quadro funcional do hospital, com base no
código de ética médica.
O Regional é administrado pelo município, que se encontra na gestão plena
do sistema de saúde. Os recursos para gerí-los são repassados diretamente
do Fundo Nacional de Saúde, e mais uma contrapartida da prefeitura,
exigida em lei. Por ser considerado de referência, atende aos municípios
(conveniados) de Itabela, Guaratinga, Itagimirim, Belmonte e Itapebi,
“registrando média de 150 atendimentos diários”, conforme a diretora Fávia
Lemos.
FALTA TUDO – Servidores afirmam que o hospital não dispõe de luvas
descartáveis, drenos, fios cirúrgicos, instrumentos de primeiros socorros
e oxigênio em estoque. “Não há seringas e sequer um tubo de soro”, disse
Edson Pereira, técnico em enfermagem.
Segundo a assistente social Regina Dantas, “mesmo com o pagamento dos
salários de outubro e de parte de novembro, a nossa mobilização continua,
pois a saúde de Eunápolis está na UTI. Todo dia chegam ao Regional
pacientes em estado grave e a única solução é encaminhá-los para outros
hospitais”.
Para o delegado regional do Cremeb, Luis Andrade, “o que vem ocorrendo é
uma irresponsabilidade do poder público municipal. É um atentando à vida
humana”. O anestesista João Carlos Xavier considera “inadmissível termos
um hospital em reforma inacabada, enfermaria funcionando com
pronto-socorro, pacientes não-infectados convivendo com infectados. Um
centro cirúrgico sem ventilação e insetos durante cirurgias”, disse. O
Hospital Materno Infantil fechou há quatro dias e os leitos foram para o
Regional, “que não tem sala de parto, berçário com incubadora, nem mínimas
condições sanitárias”, ressaltou Xavier.
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