Lula sanciona o Estatuto do Desarmamento
da Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
sancionou nesta segunda-feira o Estatuto do
Desarmamento, projeto que restringe o porte
e a posse de armas no país.
Uma das medidas mais importantes do estatuto
é a realização, em outubro de 2005, de um
referendo popular sobre a proibição ou não
da venda de armas e munição.
Lula afirmou que o estatuto não é a solução
para acabar com a violência, mas é um passo
importante na área.
"Esta lei do desarmamento certamente não
será a solução para tudo, mas é um passo
excepcional que vai poder nos dar, até a
realização do referendo, o grau de
maturidade que o povo brasileiro tem para
enfrentar esse problema", disse.
"Espero que, perto do Natal, esse estatuto
seja um presente para milhões de brasileiros
que, no anonimato, têm lutado na vida para
ver a violência diminuir. Peço a Deus que
estejamos todos certos e que a lei tenha a
eficácia que imaginamos", completou Lula.
O estatuto passou por intensas discussões no
Congresso Nacional neste ano até ser
aprovado no último dia 9. Entre os
principais pontos, conforme citou o
presidente, estão a elevação de 21 para 25
anos a idade mínima para que o brasileiro
possa pleitear a aquisição e o porte de arma
de fogo, e a proibição, em todo o território
nacional, do porte de arma, com exceção para
os responsáveis pela segurança pública,
integrantes das Forças Armadas, agentes de
Inteligência e da segurança privada.
A nova lei limita a emissão do registro
somente para quem tem condições para manter
em sua residência uma arma. Para isso, a
pessoa tem de comprovar a necessidade
efetiva de manter a arma, apresentar
documentos sobre antecedentes criminais,
provar ter residência fixa e mostrar que tem
aptidão psicológica para manusear a arma.
A pessoa que já possui arma de fogo deverá
credenciá-la na Polícia Federal ou no
comando do Exército.
Com o estatuto fica extinto o porte de arma
estadual. O governo federal passa a ser o
responsável pelo setor. Segundo Lula, as
taxas cobradas para a emissão federal foram
reajustadas com o objetivo de dificultar ou
até mesmo impedir novas permissões de porte
de arma.
A cerimônia de assinatura do estatuto contou
com a presença do ministro da Justiça,
Márcio Thomaz Bastos, e de diversos
deputados e senadores do PT.