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17-04-2004 - Escorpiões

 
Meio Ambiente
Escorpiões atacam em Eunápolis

Proliferação de animal peçonhento em bairro periférico da cidade preocupa a população, que não tem a quem recorrer

Maria Eduarda Toralles

EUNÁPOLIS (DA SUCURSAL EXTREMO SUL) –
Moradores do bairro Aeroporto, em Eunápolis, reclamam da proliferação de escorpiões. Segundo eles, a Secretaria Municipal de Saúde e o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) já foram comunicados, mas nenhuma providência foi tomada. “Já fui várias vezes ao CCZ, mas nunca obtive resposta”, disse Valdo Gomes dos Santos, morador do bairro.
  
Paulo Henrique, 16 anos, foi picado duas vezes, na mão. Ele disse que, na última vez, teve que ficar 15 dias hospitalizado. “Eles disseram que se eu demorasse mais um pouco para chegar ao hospital teria morrido”, informou o jovem, que não ficou com seqüelas. O escorpião encontrado é da cor amarela, da espécie Tityus serrulatus, considerada a mais perigosa da América do Sul. Esse tipo vive, geralmente, em Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. Sua picada pode ser fatal, principalmente em crianças, idosos e pessoas com histórico de alergia.
  
Moradora do bairro há 13 anos, dona Madalena disse que os escorpiões começaram a surgir há dois anos. Ela acredita que a grande quantidade de terrenos abandonados da região seja a principal causa da proliferação. Madalena apresentou um vidro cheio de animais mortos que ela pegou na área externa de sua residência. “Costumo colocar fogo para tentar acabar com eles”, disse.

Confirmação – No CCZ, o coordenador de Vigilância Sanitária, Marcos César Amorin, confirmou que foi procurado por muitas pessoas. Ele esclareceu que “a área em questão é endêmica dessa espécie” e que o crescimento do loteamento está destruindo o habitat dos escorpiões que passaram a invadir as casas. “É importante manter o terreno limpo”, orienta. Segundo ele, não existe nenhum produto específico para combater esse tipo de animal peçonhento e garante que a utilização de inseticidas pode agravar o problema. “Esse tipo de veneno não mata o escorpião; só os desaloja, piorando a situação”, afirmou.
  
A responsável pela Vigilância Epidemiológica do município, enfermeira Berenice Oliveira dos Santos, informou que o Hospital Regional possui uma reserva de soro anti-escorpiônico e que todos os médicos e enfermeiros do município sabem como proceder no atendimento a vítimas de animais peçonhentos. Ela esclarece que não existe soro nos postos de Saúde porque ele só pode ser aplicado na presença de um médico. No único posto do bairro, as plantonistas afirmaram não saber nada sobre a proliferação de animais peçonhentos, mas disseram que, em caso de acidentes, encaminhariam as vítimas ao Hospital Regional.
 
 

                

 

Fonte: A Tarde

Os assuntos assinados são de responsabilidade dos  autores.

 

   

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