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Meio Ambiente
Escorpiões atacam em Eunápolis
Proliferação de animal peçonhento em bairro periférico da
cidade preocupa a população, que não tem a quem recorrer
Maria Eduarda Toralles
EUNÁPOLIS (DA SUCURSAL EXTREMO SUL) – Moradores do bairro
Aeroporto, em Eunápolis, reclamam da proliferação de
escorpiões. Segundo eles, a Secretaria Municipal de Saúde e o
Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) já foram comunicados, mas
nenhuma providência foi tomada. “Já fui várias vezes ao CCZ,
mas nunca obtive resposta”, disse Valdo Gomes dos Santos,
morador do bairro.
Paulo Henrique, 16 anos, foi picado duas vezes, na mão. Ele
disse que, na última vez, teve que ficar 15 dias
hospitalizado. “Eles disseram que se eu demorasse mais um
pouco para chegar ao hospital teria morrido”, informou o
jovem, que não ficou com seqüelas. O escorpião encontrado é da
cor amarela, da espécie Tityus serrulatus, considerada a mais
perigosa da América do Sul. Esse tipo vive, geralmente, em
Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São
Paulo. Sua picada pode ser fatal, principalmente em crianças,
idosos e pessoas com histórico de alergia.
Moradora do bairro há 13 anos, dona Madalena disse que os
escorpiões começaram a surgir há dois anos. Ela acredita que a
grande quantidade de terrenos abandonados da região seja a
principal causa da proliferação. Madalena apresentou um vidro
cheio de animais mortos que ela pegou na área externa de sua
residência. “Costumo colocar fogo para tentar acabar com
eles”, disse.
Confirmação – No CCZ, o coordenador de Vigilância Sanitária,
Marcos César Amorin, confirmou que foi procurado por muitas
pessoas. Ele esclareceu que “a área em questão é endêmica
dessa espécie” e que o crescimento do loteamento está
destruindo o habitat dos escorpiões que passaram a invadir as
casas. “É importante manter o terreno limpo”, orienta. Segundo
ele, não existe nenhum produto específico para combater esse
tipo de animal peçonhento e garante que a utilização de
inseticidas pode agravar o problema. “Esse tipo de veneno não
mata o escorpião; só os desaloja, piorando a situação”,
afirmou.
A responsável pela Vigilância Epidemiológica do município,
enfermeira Berenice Oliveira dos Santos, informou que o
Hospital Regional possui uma reserva de soro anti-escorpiônico
e que todos os médicos e enfermeiros do município sabem como
proceder no atendimento a vítimas de animais peçonhentos. Ela
esclarece que não existe soro nos postos de Saúde porque ele
só pode ser aplicado na presença de um médico. No único posto
do bairro, as plantonistas afirmaram não saber nada sobre a
proliferação de animais peçonhentos, mas disseram que, em caso
de acidentes, encaminhariam as vítimas ao Hospital Regional.
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