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19/09/2004 - Internet a serviço do vício

                                                               
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Em grupos de discussão e sites de relacionamento na rede, jovens trocam experiências e informações sobre consumo de drogas

Camilla Antunes e Marco Antônio Martins

 

Enquanto campanhas contra as drogas tentam evitar que mais jovens entrem no vício, usuários de entorpecentes recorrem à internet para induzir ao consumo de substâncias como ecstasy, LSD e maconha. Em fóruns de discussão, comunidades virtuais e blogs, jovens discutem formas de uso, métodos de compra e até analisam a qualidade de diferentes variações de cada droga. A Polícia Federal investiga esses grupos, que vêm fazendo uso da rede até para indicar fornecedores.

- Eu tenho síndrome do pânico e prolapso da válvula mitral, uma doença do coração, popularmente conhecida como sopro. Tenho muita vontade de provar ecstasy, será que corro risco? Quais? Há risco de vida? - Esta é a pergunta de abertura de um dos fóruns de discussão de uma comunidade do Orkut - um site de relacionamento - que resume bem as conversas sobre as drogas.

- A internet dificulta o flagrante. É necessário que a polícia se prepare para investigar esse delito. Temos denúncias, mas ainda não prendemos ninguém. Aliás, os casos que chegam à Justiça são mínimos. A polícia não produz provas - afirmou o promotor público Márcio Mothé, coordenador da Justiça Terapêutica no Ministério Público Estadual.

O Orkut, por exemplo, tem mais de 10 comunidades dedicadas a discussões sobre drogas. As de ecstasy fazem sucesso entre os internautas e chegam a ter mais de mil associados. Nos sites de relacionamento, fica claro o maior meio de propagação das drogas: entre amigos.

- A venda das pastilhas é feita entre amigos e conhecidos. Quando um não tem, sempre indica outro que pode ajudar - explicou o administrador de empresa X., que se tornou um dos grandes vendedores da droga na Zona Sul e na Barra da Tijuca.

Várias discussões são fomentadas a partir das sensações dos participantes dos fóruns. Uma delas chamou a atenção por ser intitulada Louis Vuitton, um empréstimo não autorizado da grife francesa para balas de ecstasy encontradas no Estado. Pastilhas semelhantes a essas foram apreendidas na quinta-feira, pela Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil, com dois jovens de classe média, no Recreio dos Bandeirantes.

- O grande problema desses sites é criar o interesse em pessoas que nunca tomaram a droga - alerta o presidente do Conselho Estadual Antidrogas (Cead), Murilo Asfora.

A preocupação não é por acaso. Além das comunidades do Orkut, no site da organização americana Ecstasy Data, é possível encontrar a análise química de mais de mil tipos de comprimidos de ecstasy. Dove roxa, louis vuitton, mitsubishi, honda, love azul, soviética vermelha e armani verde são algumas das classificações. As quantidades de MDMA - derivado sintético da anfetamina - e dos outros componentes das pastilhas são divulgadas como se faz em bulas de remédios. O objetivo é fornecer aos usuários informações sobre o risco que cada quantidade da substância pode causar.

O estudante de Comunicação Social G. consulta o site sempre que surge um novo tipo de pastilha no mercado do Rio. Para ele, como a droga é proibida, os usuários acabam não tendo controle de qualidade sobre o produto.

- Não sabemos dos riscos das substâncias do ecstasy. Por isso, o site é muito útil - observa.

 

 

Fonte: Sitepopular / JB on-line

Os assuntos assinados são de responsabilidade dos  autor

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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