Enquanto campanhas contra
as drogas tentam evitar que mais jovens entrem no vício, usuários de
entorpecentes recorrem à internet para induzir ao consumo de substâncias
como ecstasy, LSD e maconha. Em fóruns de discussão, comunidades
virtuais e blogs, jovens discutem formas de uso, métodos de compra e até
analisam a qualidade de diferentes variações de cada droga. A Polícia
Federal investiga esses grupos, que vêm fazendo uso da rede até para
indicar fornecedores.
- Eu tenho síndrome do pânico e
prolapso da válvula mitral, uma doença do coração, popularmente
conhecida como sopro. Tenho muita vontade de provar ecstasy, será que
corro risco? Quais? Há risco de vida? - Esta é a pergunta de abertura de
um dos fóruns de discussão de uma comunidade do Orkut - um site de
relacionamento - que resume bem as conversas sobre as drogas.
- A internet dificulta o flagrante.
É necessário que a polícia se prepare para investigar esse delito. Temos
denúncias, mas ainda não prendemos ninguém. Aliás, os casos que chegam à
Justiça são mínimos. A polícia não produz provas - afirmou o promotor
público Márcio Mothé, coordenador da Justiça Terapêutica no Ministério
Público Estadual.
O Orkut, por exemplo, tem mais de
10 comunidades dedicadas a discussões sobre drogas. As de ecstasy fazem
sucesso entre os internautas e chegam a ter mais de mil associados. Nos
sites de relacionamento, fica claro o maior meio de propagação das
drogas: entre amigos.
- A venda das pastilhas é feita
entre amigos e conhecidos. Quando um não tem, sempre indica outro que
pode ajudar - explicou o administrador de empresa X., que se tornou um
dos grandes vendedores da droga na Zona Sul e na Barra da Tijuca.
Várias discussões são fomentadas a
partir das sensações dos participantes dos fóruns. Uma delas chamou a
atenção por ser intitulada Louis Vuitton, um empréstimo não autorizado
da grife francesa para balas de ecstasy encontradas no Estado.
Pastilhas semelhantes a essas foram apreendidas na quinta-feira, pela
Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil, com dois jovens de
classe média, no Recreio dos Bandeirantes.
- O grande problema desses sites é
criar o interesse em pessoas que nunca tomaram a droga - alerta o
presidente do Conselho Estadual Antidrogas (Cead), Murilo Asfora.
A preocupação não é por acaso. Além
das comunidades do Orkut, no site da organização americana Ecstasy Data,
é possível encontrar a análise química de mais de mil tipos de
comprimidos de ecstasy. Dove roxa, louis vuitton, mitsubishi, honda,
love azul, soviética vermelha e armani verde são algumas das
classificações. As quantidades de MDMA - derivado sintético da
anfetamina - e dos outros componentes das pastilhas são divulgadas como
se faz em bulas de remédios. O objetivo é fornecer aos usuários
informações sobre o risco que cada quantidade da substância pode causar.
O estudante de Comunicação Social
G. consulta o site sempre que surge um novo tipo de pastilha no mercado
do Rio. Para ele, como a droga é proibida, os usuários acabam não tendo
controle de qualidade sobre o produto.
- Não sabemos dos riscos das
substâncias do ecstasy. Por isso, o site é muito útil - observa.