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06/01/2005 - Assembléia Legislativa da Bahia, um verdadeiro assalto aos cofres públicos

                                                               
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Deputados estaduais embolsam R$28.620 em salários extras
Parlamentares autoconvocam a Assembléia, justificando urgência na aprovação de matérias do Executivo.
 

Os deputados articularam uma auto-convocação pela qual vão receber dois salários extras

Os 63 deputados estaduais articularam, ontem, entocados nos gabinetes e em negociações nos corredores da Assembléia Legislativa, um verdadeiro assalto aos cofres públicos. Eles decidiram assinar um requerimento onde se autoconvocam para trabalhar, extraordinariamente, no recesso de janeiro, quando encherão os bolsos com R$28.620 (o equivalente a três salários brutos, o do mês mais dois extras) para trabalhar por, no máximo, 20 dias. Os parlamentares do governo e da oposição - que também têm direito a outras modormias, como carro, telefones celulares, auxílio para gastos diversos no valor de R$2.250, verba indenizatória para publicidade no valor de até R$9 mil e vencimentos extras no início e no final do ano legislativo -, esperam, com o reforço nas contas bancárias, superar as dívidas adquiridas nas eleições municipais do ano passado.

Para tentar justificar o assalto aos cofres públicos, os deputados alegam que precisam votar, urgentemente, oito projetos que estão na pauta, a maioria do Executivo. Se, de fato, o governador Paulo Souto considerasse as matérias urgentes, ele próprio teria convocado a Assembléia para trabalhar, como aconteceu no início de 2004. Na época, a Casa aprovou a adequação do estado à reforma previdenciária aprovada pelo Congresso Nacional - onde, este ano, não haverá convocação. O rombo da autoconvocação para os cofres públicos chega a R$1,1 milhão. Embora tenha outras contas mais urgentes a pagar, Paulo Souto já reservou a verba para a farra dos deputados.

Com o dinheiro, daria para a Secretaria de Combate à Pobreza construir cerca de 500 casas populares. Em média, por cada sessão trabalhada, cada parlamentar recebe R$1.125. Além do mais, dos 63 deputados, menos de 25 costumam comparecer regularmente ao trabalho no período de janeiro. Já assinaram o requerimento de autoconvocação cerca de 35 parlamentares tanto do governo como da oposição - que costuma fazer proselitismo e dizer, através da imprensa, que é contra o período extra. O mais lamentável é que deputados que nunca comparecem às sessões legislativas também assinaram o documento, a exemplo de dois parlamentares do PMDB.

Entre os projetos que serão votados no período extraordinário da Assembléia, que começa segunda-feira, estão a mudança nas licitações do governo estadual; a modernização de secretariais; e um texto do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ) que é ruim para a população porque encarece as custas judiciais, cujos valores passarão a variar de R$50 a R$8 mil. Com a autoconvocação, os cinco suplentes - Padre Joel (PSDC), Luiz Augusto (PSDB), Paulo Rangel (PT), Valmir Assunção (PT) e Edmon Lucas (PTB) - que assumiram no lugar dos ex-deputados eleitos prefeitos no pleito municipal do ano passado, já começam o ano recebendo R$28.620. Um deles foi um dos primeiros a assinar o requerimento.

Vale lembrar ainda que, no início do ano legislativo - 1o de fevereiro - os deputados têm direito a um salário extra, bem como no final de dezembro. Ou seja, entre dezembro e fevereiro os parlamentares receberão oito salários, enquanto os trabalhadores comuns recebem apenas quatro (incluindo o 13º). Isso corresponde a R$72.300. O valor bruto do salário de um deputado estadual é de R$9.540, embora, com todas as vantagens incorporadas, os vencimentos cheguem a R$30 mil mensais.

Sabendo da repercussão negativa da autoconvocação, o presidente da Assembléia, deputado Carlos Gaban (PFL), tratou de viajar ao meio-dia de ontem. O líder da maioria, deputado Clóvis Ferraz (PFL) - que está em campanha para ocupar a presidência da Casa e se empenhou pessoalmente alegando que os parlamentares estão de caixa baixo em função dos gastos com a campanha eleitoral para vereadores e prefeitos - também não foi encontrado.

A imoralidade que foi acertada ontem pelos parlamentares e será concretizada com a publicação, neste fim de semana, no Diário Oficial, deixou indignados muitos políticos e representantes do Ministério Público. Já está em estudo, inclusive, uma ação popular a ser apresentada na Justiça para impedir a malversação do dinheiro público pelos deputados estaduais baianos.

 

 
 
 

Fonte:  Correio da Bahia

Os assuntos assinados são de responsabilidade dos  autor

 

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