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05-02-2004 Gasolina para duas voltas ao mundo

 
Deputados ressarcidos em gastos de quase R$ 17 mil por mês em combustível e lubrificantes ainda querem receber mais

 

 Hugo Marques e Rafael Sento Sé

 

Arquivo

Osvaldo Biolchi, campeão de gastos

BRASÍLIA - A convocação extraordinária do Congresso em janeiro continua trazendo novos gastos extraordinários para o bolso do contribuinte. Em apenas dez dias úteis de sessão - seis deles efetivamente trabalhados -, houve deputado que chegou a gastar R$ 16,9 mil apenas em combustível. A revelação foi publicada no site da Câmara, que inaugurou ontem um novo serviço de prestação de contas, a dos gastos de cada parlamentar com ''verbas indenizatórias''.

Durante a convocação, cada parlamentar recebe R$ 25 mil de salário. Além disso, por mês, o deputado pode gastar até R$ 12 mil de ''verba indenizatória'', onde se inclui consultoria, divulgação, material, combustível e escritório de apoio à ''atividade parlamentar''. Quem extrapola os gastos em um mês ou não usa a verba em sua totalidade, pode compensar as diferenças nos meses seguintes de um mesmo semestre.

O recordista em gastos com combustíveis é o deputado Osvaldo Biolchi, do PMDB, do Rio Grande do Sul. Os R$ 16.973,85 que ele apresentou como gastos com combustíveis e lubrificantes em janeiro são suficientes para comprar 8.486 litros de gasolina. Dá para rodar cerca de 85 mil quilômetros de carro, mais de duas voltas à Terra, 42 viagens de carro entre Brasília e Porto Alegre, ou ainda dirigir por 1.062 horas e 30 minutos (45 dias) ininterruptamente, à velocidade de 80 km/h, sem uma paradinha sequer ao banheiro. O deputado Biolchi justifica os gastos.

- Eu não vou para o Rio Grande do Sul para coçar a minha barriga, para não dizer outra coisa. O ano inteiro tenho contato com as bases. Tenho cinco assessores no Estado - diz Biolchi.

Também contaram com ''verbas indenizatórias'', os preparativos da festa de 20 anos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra também, em São Miguel do Iguaçu, no Paraná, perto da fronteira com o Paraguai. O deputado federal Adão Pretto disse, sem constrangimentos, que gastou parte dos R$ 8 mil com o transporte de faixas e bandeiras do MST e ferramentas, feito através de uma caminhonete.

- Neste fim de ano, fizemos duas viagens, ida e volta, entre Porto Alegre e São Miguel do Iguaçu. Tivemos que percorrer 3 Estados - disse.

Outro recordista de gastos com combustíveis é o deputados Elimar Máximo (Prona-SP), que apresentou fatura de R$ 15,1 mil em janeiro. Ele não retornou o telefonema. O deputado João Hermann Neto (PPS-SP) gastou R$ 14,3 mil, também com combustível. Hermann afirmou que o mês em que mais trabalha é janeiro, quando tem congresso do PPS. Perguntado se acha ético a sociedade pagar combustível para congresso de partido, o parlamentar respondeu que sim.

- A menos que o meu partido fosse clandestino. Agora estou na legalidade e é a coisa mais legítima do mundo. Eu cubro todo o Estado de São Paulo, em cada lugar tenho um responsável. Toda a minha verba, só faço em combustível - diz Hermann.

Mesmo com o dinheiro ganho com a convocação extraordinária do Congresso, Neto considera vergonhosa as condições de trabalho dos parlamentares brasileiros, pois acaba tendo que tirar dinheiro do próprio bolso. Segundo ele, suas oito equipes que atuam no Estado consomem cerca de R$ 38 mil, por mês, sem contar gastos com pessoal.

- Esse proselitismo são os tentáculos do exercício da atividade parlamentar. Você precisa colar as ventosas na terra do povo - declarou.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) gastou R$ 11 mil em janeiro. O deputado Adão Pretto, também do PT do Rio Grande do Sul, justificou R$ 8 mil de gastos com combustível. Do mesmo partido, do mesmo Estado, o deputado Henrique Fontana gastou R$ 379.

A proximidade da cidade do parlamentar com Brasília não significa redução de gastos para o contribuinte. O deputado Tatico, do PPB do Distrito Federal, gastou R$ 7,3 mil em combustíveis e a deputada Maninha (PT-DF) gastou R$ 3,6 mil. O deputado Sigmaringa Seixas (PT-DF), apresentou fatura mais modesta à Câmara, com R$ 636 de despesas com combustível. Modesto mesmo foi o deputado Vadinho Baião (PT-MG), que só gastou R$ 98,19 de toda a verba indenizatória, também com combustível.

A Câmara informou que o parlamentar só pode gastar R$ 12 mil por mês, incluindo todas as despesas. Se quiser gastar tudo em gasolina, o parlamentar não terá outras despesas ressarcidas.

A matogrossense Celcita Pinheiro (PFL) foi uma das campeãs no ressarcimento dos gastos de gasolina, com R$ 9.600, equivalente a 4,8 mil litros. Assessores de Celcita alegam que Mato Grosso é muito grande. Do mesmo Estado, Pedro Henry (PP) solicitou ressarcimento de R$ 15.117,76. O deputado não se manifestou sobre os gastos.

A deputada matogrossense Celcita Pinheiro (PFL) foi uma das campeãs no ressarcimento dos gastos de gasolina, com R$ 9.600, equivalente a 4,8 mil litros. Assessores de Celcita alegam que o Estado do Mato Grosso é muito grande.

 


 
 

Fonte: JB On LIne                                              

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