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06/05/2005 -
Revista "Época" denuncia mudanças na
legislação para beneficiar empresas |
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Da redação - Sitepopular |
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A revista "Época" que chega às bancas neste sábado (7/5) afirma que uma
investigação do Ministério Público Federal indicou que grandes empresas
que conheciam grupos de consultores e funcionários da Receita Federal
conseguiram, por meio de mudanças na legislação relativa tributos,
benefícios "generosos" do Fisco.
O principal foco das investigações, segundo a revista, seria o auditor
fiscal aposentado Paulo Baltazar Carneiro, secretário-adjunto da Receita
Federal durante o governo FHC, e Sandro Martins, ex-coordenador de
tributação, que ainda continua a trabalhar no órgão. Após o MPF ter
levantado suspeitas de enriquecimento ilícito, ambos tiveram seu sigilo
bancário quebrado e foram flagrados com depósitos de grandes empresas na
conta.
O MPF os denunciou, nesta sexta-feira (6/5)por improbidade administrativa
em um caso que envolve a montadora de automóveis Fiat. Após o rastreamento
da conta bancária de um escritório particular da dupla, descobriu-se que a
montadora pagou a bolada de R$ 12,8 milhões por mudanças na lei para se
ver livre de uma multa de R$ 643 milhões, em 1999.
"A única maneira de livrar a empresa da multa era mudando a legislação",
disse a revista "Época" o advogado Alberto Andrade, que defendia a Fiat em
processos tributários. De acordo com documentos em poder do Ministério
Público, os R$ 12,8 milhões que saíram da montadora foram repartidos entre
Paulo Baltazar e Sandro, um escritório de consultoria chamado SBS
(pertencente a ex-funcionários da Receita) e o advogado Alberto Andrade.
A problema da Fiat começou em 1997, quando a empresa foi autuada pelo
fisco por deixar de pagar Contribuição Social sobre o Lucro Líquido
durante seis anos. Após diversas tentativas de impugnação da cobrança,
tanto administrativas quanto judiciais, os advogados da montadora
decidiram recorrer a métodos menos triviais. Alberto Andrade fechou um
acordo para defender a Fiat. Para cumprir o compromisso, o advogado
recorreu à consultoria SBS, que recorreu a Martins Carneiro -empresa
pertencente a Paulo Baltazar e Sandro.
"Época" afirma ter tido acesso a documentos que dizem claramente que o
objeto do contrato entre Alberto Andrade e a SBS é conseguir a "edição de
ato legislativo ou administrativo que afinal cancele ou reduza
efetivamente os créditos tributários em questão"
"Eu não sabia nada que tinha gente da Receita nessa história. Se soubesse
não tinha feito", afirmou o advogado que defendia a Fiat à "Época". "Eu
contratei a SBS. Só quando o serviço terminou é que eles me disseram que
precisava fazer um pagamento diretamente para a Martins Carneiro.
Procurada, a Fiat preferiu não se pronunciar, pois desconhece a
investigação. Sandro e Paulo Baltazar também não quiseram atender a
reportagem.
O fato é que quatro meses depois da assinatura dos contratos a tal "edição
de ato legislativo ou administrativo" apareceu. O governo FHC editou a
medida provisória nº 1.807/1999. O secretário da Receita era Everardo
Maciel. A revista afirma também que, graças à medida, a Fiat deixou de
pagar R$ 643 milhões em multas e juros à Receita (a dívida que era de R$
863 milhões despencou para R$ 220 milhões). A medida anistiou de juros e
multa empresas que haviam sonegado Contribuição Social sobre o Lucro
Líquido e contestavam o pagamento do imposto na Justiça. Para conseguir
direito ao benefício, bastava ter ação correndo nos tribunais - não era
preciso nem contar com uma sentença favorável. Semanas antes, uma outra
medida provisória já tinha relaxado a lei, permitindo a anistia para
empresas com decisão favorável na Justiça. A Fiat, no entanto, ficava fora
do benefício. Na segunda mudança, foi favorecida.
Na visão do Ministério Público, é o suposto envolvimento de servidores -
que receberam pagamento para trabalhar contra os interesses do Estado. Os
procuradores têm motivos para acreditar que Paulo Baltazar e Sandro
tiveram papel decisivo para que a medida provisória que ajudou a Fiat
fosse editada pelo governo. Naquela ocasião, Sandro estava licenciado por
motivos particulares. Paulo Baltazar, no entanto, era o secretário-adjunto
da Receita Federal, segundo cargo mais importante dentro da hierarquia do
órgão. Pelo serviço a Martins Carneiro, a consultoria tributária que
pertence aos dois, recebeu R$ 2,1 milhões do então advogado da Fiat. A SBS,
dos auditores fiscais aposentados, embolsou R$ 4,1 milhões. O Ministério
Público ainda não sabe onde foram parar outros R$ 6 milhões que saíram do
cofre da montadora como pagamento pelo serviço.
Segundo a "Época", o secretário da Receita Federal nessa época era
Everardo Maciel. Ele diz que a lei foi mudada porque, embora o Supremo
Tribunal Federal tenha dado ganho de causa definitivo à União, mandando as
empresas que as empresas pagassem a Contribuição Social, ele achava que
era melhor abrir mão da multa e dos juros e receber o imposto devido no
ato. O governo precisava reforçar o caixa rapidamente, pois enfrentava uma
crise cambial. Quanto ao envolvimento de seus homens de confiança disse:
"Nunca ouvi falar nem como boato. Se tivesse, teria aberto inquérito fosse
quem fosse".
A revista promete publicar a matéria completa na edição desse sábado
(7/5).
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Fonte:
Sitepopular
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Os assuntos assinados são de responsabilidade dos
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