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Finalmente,
aconteceu o esperado – porém indesejável pelos eleitores – acordão
através do qual, entre mortos e feridos, salvam-se todos exceto, é
claro, a turma do andar de baixo, os que podem menos; estes ficam
como exemplo do duro e bravo combate ao qual governo e oposições se
lançaram sem tréguas e com destemor.
Justamente no momento em que Duda Mendonça ameaça contar tudo (e
este tudo deve ser muita, muita coisa), exatamente quando é oportuno
aumentar a pressão, dar mais uma volta no parafuso, os protagonistas
desta palhaçada congressual chamada CPI dos Bingos e de outra
denominada CPMI dos Correios, certamente atemorizados ou cooptados
por quem não tem o menor interesse em que se saiba toda a verdade,
suspende-se o novo depoimento do publicitário baiano.
Logo agora que o senador Delcídio Amaral e o deputado Osmar
Serraglio parecem que vão conseguir lá em Nova Iorque alguma coisa a
respeito das contas que se diz que Duda possui – e ele nega – no
exterior. Pois é, chegou-se aonde a prudência dos que temem
recomenda que se recue; não “interessa” ao PT nem à oposição uma
nova oitiva de Duda Mendonça, o homem que fez as campanhas políticas
não só dos presentes detentores do poder, mas de muita gente da
oposição.
Sequer o banqueiro Edemar Cid Ferreira, dono do falido Banco Santos
e amicíssimo do senador José Sarney, o qual, por coincidência, de lá
retirou todo o seu dinheiro, que não deveria ser pouco, dias antes
de sua quebra, será convocado à CPI - oportunamente, desistiram suas
excelências de o convocar. Como uma mão lava outra, devolve-se agora
o favor do alerta que possivelmente foi dado a Sarney para salvar
seus cifrões.
Sibá Machado, senador petista acreano também é da “opinião” de que
Duda não deve vir, a menos que sujam fatos novos – e o ameaçar
contar tudo acaso não é um fato inédito (e perigoso?). Da mesma
forma pensa a senadora petista do Santa Catarina, Ideli Salvatti.
Não se impressione o leitor, no fundo estão todos, como se diz,
ajustados e contratados, combinadíssimos.
O acordão iria sair de qualquer forma, pois nesta história, um lado
é refém do outro, mas o que precipitou as coisas foi a tal “lista de
Furnas”, uma papelada que está nas mãos da Polícia Federal mas cuja
autenticidade não está provada. Nela constam os nomes de 156
integrantes dos partidos PSDB, PFL, PTB, PL e PP, ou seja,
praticamente toda a oposição, como tendo recebido dinheiro de caixa
dois proveniente da empresa estatal Furnas Centrais Elétricas.
O engraçado que neste jogo de empurra, ou de salve-se quem puder, é
que os petistas querem muito ouvir na CPMI dos Correios um certo
lobista chamado Nilton Monteiro, de quem se diz que partiu a “lista
de Furnas” e foi o denunciante do caixa dois da campanha do íntegro
senador tucano mineiro Eduardo Azeredo. Merece, pois, alguma
credibilidade este lobista.
Se a lista é verdadeira ou falsa, há como apurar, e o deputado
cassado Roberto Jefferson admitiu ter recebido 75 mil da empresa
estatal de energia. Pode ser mentira, mas talvez Jefferson tenha
meios de provar o que diz.
Então é isto, caro leitor e eleitor: trocam-se favores, deixa-se de
ouvir Duda - que não custa repetir, ameaça contar tudo o que sabe,
bem como o outro publicitário, Marcos Valério - em troca da
desistência da convocação do lobista Monteiro.
Assim se apura a verdade no Brasil, com testemunhas desobrigadas de
dizer a verdade, protegidas por mandados de segurança; com acordões
como este, e depois suas excelências tentam limpar um pouco a imagem
da Casa diminuindo suas escandalosas férias de 90 dias para “meros”
55 – quando os demais mortais têm 30, isto quando não as vendem ao
patrão para reforçar o parco orçamento.
Também tiveram a generosidade de, doravante, não mais receberem
pelas convocações extras, e hoje o Brasil pode ser orgulhar de ser o
país cujos parlamentares têm o menor período de férias; a seguir vêm
os ingleses, com 60 dias – mas é de crer que lá os Comuns e os
Lordes trabalhem de segunda a quinta.
Assim, nossos políticos provam aos mais incautos, por A “menos” B,
que são a quintessência da probidade.
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