|
Porto Seguro -
Representantes da sociedade civil organizada e do poder público de
dez municípios baianos reúnem-se nos próximos dias
15
e 16, em Porto Seguro, para discutir uma estratégia de conservação
dos remanescentes da Mata Atlântica na área de influência da Veracel
Celulose. Dentre os remanescentes importantes, com seis mil
hectares, a RPPN Estação Veracruz, entre Porto Seguro e Santa Cruz
Cabrália (BA), de propriedade da empresa, constitui-se na maior
reserva privada desse bioma e será um dos focos da Oficina de
Planejamento Participativo, que ocorre no Hotel Porto Calem em Porto
Seguro, das 08h30 às 18h.
Por suas
características, a Estação Veracruz é considerada fundamental para a
conservação da Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados e ricos
do planeta e do qual restam apenas 7% da área inicial. Ela mantém
intocada, como floresta primária, cerca de 80% de sua dimensão, que
serve de habitat para espécies de flora e fauna endêmicas, que só
ocorrem naquele local; ameaçadas de extinção ou vulneráveis, tais
como o gavião real, beija-flor-canela, macaco prego de crista e
papagaio chauá. Outro diferencial da Estação é a presença de
espécies da Floresta Amazônica, que reforçam a hipótese de relação
entre os dois biomas.
A iniciativa faz
parte da parceria entre a organização não-governamental Conservação
Internacional (CI-Brasil) e a empresa Veracel Celulose com apoio do
Instituto BioAtlântica. O objetivo é o fortalecimento do Corredor
Central
da Mata Atlântica na região, através do planejamento do uso e gestão
da paisagem regional de forma sustentável e participativa, incluindo
demais unidades de conservação, tanto públicas quanto privadas.
A Gerente de
Articulação Social da CI-Brasil, Viviane Junqueira, salienta que a
região tem alto índice de turistas e pode ser a porta de entrada
para que a população tenha informações sobre a Mata Atlântica e
contribua para sua conservação. Atualmente, são recebidos dois mil
visitantes por ano na Estação, que recebeu o título de Sítio do
Patrimônio Mundial Natural, pela Unesco. A oficina irá reunir cerca
de 50 profissionais da região entre jornalistas, lideranças
religiosas e comunitárias, ambientalistas, representações das
esferas de governo municipal e estadual, empresários proprietários
privados entre outros. “Juntos, vamos pensar os problemas ambientais
existentes e os projetos educativos e de comunicação que poderiam
contribuir para minimizá-los”.
“Estamos numa área
crítica de conservação e temos a oportunidade de desenvolver um
projeto participativo que gere resultados efetivos”, avalia a
Gerente de Meio Ambiente da Veracel,
Zeila
Piotto, observando ser necessário um esforço conjunto para superar o
desafio de atuar numa área de abrangência tão ampla e com
dificuldades, não só de informação, mas de ordem sócio-econômica e
ambiental.
Esta oficina faz
parte do Programa de Comunicação e Educação Ambiental e de projeto
mais amplo entre CI-Brasil e Veracel, que inclui ainda a revisão do
Plano de Manejo da RPPN, a execução de um Programa de Pesquisa para
a Conservação e a integração com outros projetos sócio-ambientais
desenvolvidos na região. |